

Com as chapas definidas, a eleição para o governo da Bahia deixa de ser um exercício de especulação e passa a ser um confronto entre duas arquiteturas políticas bem delineadas. O governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, manteve o vice Geraldo Jr. E terá dois ex-governadores como candidatos ao senado. Do lado da oposição o ex-prefeito ACM Neto trouxe o prefeito de Jequié para vice e terá como postulantes ao senado João Roma e o senador Angelo Coronel.
A chapa do grupo governista concentra o núcleo duro do poder político baiano das últimas duas décadas e mantém a aliança partidária que lhe dá sustentação. Manter o MDB foi o ponto que comandou a escolha por Geraldo Jr.
A chapa busca manter a base altamente capilarizada no interior, sustentada por prefeitos e lideranças vinculadas ao PSD, ao MDB e outros partidos e à força de Wagner e Rui. E manteve o domínio do tempo de TV. Jerônimo deve dispor de algo entre 50% e 60% do tempo total de propaganda, o que lhe permite impor narrativa e presença diária na campanha.
Do outro lado, ACM Neto conseguiu montar uma chapa mais funcional que a de 2022 e com foco mais centrado no interior e no bolsonarismo. Zé Cocá e Angelo Coronel ampliam a margem interiorana e João Roma acena para o bolsonarismo.
Não se sabe exatamente a força eleitoral de Zé Cocá e Coronel, mas a presença deles é o fato novo mais relevante. A presença deles vai em busca da rede política interiorana que ACM Neto anseia.
A chapa de ACM Neto deve contar com algo entre 30% e 40% do tempo de TV. É inferior à chapa governista, mas suficiente, se for feita uma campanha eficiente e segmentada. A presença de João Roma mantém o vínculo com o bolsonarismo, mas o fator Ronaldo Caiado pode trazer um estresse que pode ser prejudicial para a chapa. A existência de dois pólos à direita — um mais alinhado ao bolsonarismo e outro buscando uma posição mais ampla — pode gerar tensões e dificultar a construção de uma frente coesa contra o grupo governista.
Mas o jogo está jogado. O que as chapas revelam é que ambos os lados já fizeram suas apostas. O grupo de Jerônimo aposta na continuidade, na força de Lula e na solidez de sua base. O grupo de ACM Neto aposta na recomposição, na ampliação territorial e em uma engenharia política que acredita na tendência mais a direita do eleitorado.
O jogo está jogado e ambos os candidatos têm clareza sobre seus pontos fracos. Jerônimo precisa melhorar sua avaliação de governo; ACM Neto precisa crescer no interior. A campanha será, em grande medida, a tentativa de cada um de neutralizar sua própria vulnerabilidade antes de explorar a do adversário. Jerônimo vai focar no prestígio que o presidente Lula tem na Bahia e colar nele. ACM Neto aposta na ideia de mudança e vai colar na disseminação de uma chapa de direita.
A hora é de ir a campo. E observar com atenção os próximos movimentos e pesquisas, que começarão a revelar não apenas intenções de voto, mas a consistência e/ou fragilidade das estratégias em curso. (EP- 06/04/2026)



