

No dia 2 de abril, quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha ainda mais relevância. Estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que uma em cada 100 pessoas está dentro do espectro, mas muitos adultos só chegam ao diagnóstico após décadas de sofrimento emocional, dificuldades sociais e sensação constante de inadequação. Especialistas alertam que reconhecer sinais menos óbvios pode ser decisivo para antecipar os cuidados e aumentar a qualidade de vida.
De acordo com a terapeuta transpessoal sistêmica Marcela Santana, coautora do livro Além do Diagnóstico, lançado em janeiro, o autismo na vida adulta ainda é invisibilizado e frequentemente confundido com traços de personalidade ou questões emocionais isoladas. “O diagnóstico tardio não apaga uma vida inteira de tentativas de se encaixar em um mundo que pouco compreende as diferenças”, afirma a especialista que também atende crianças e adolescentes mas percebe a necessidade de estender o olhar para adultos que cresceram sem o diagnóstico.
Confira cinco sinais comuns que podem indicar um diagnóstico tardio de autismo:
Mesmo em ambientes íntimos, como família, amigos ou relações afetivas, é comum que pessoas autistas relatem um distanciamento interno, como se estivessem sempre “fora do lugar”.
Interpretação literal da linguagem, desafios em entender nuances sociais e desconforto em interações podem ser sinais frequentemente negligenciados ao longo da vida.
Situações sociais podem gerar esgotamento extremo, exigindo longos períodos de recuperação — algo que, muitas vezes, é confundido com timidez ou introversão.
Rotinas rígidas, padrões repetitivos e desconforto diante de mudanças podem funcionar como estratégias de regulação emocional.
Sensibilidade acentuada a sons, luzes, cheiros ou texturas pode impactar diretamente o bem-estar e adaptação a diferentes ambientes. “Muitos adultos passam anos sendo vistos como difíceis, estranhos ou inadequados, quando, na verdade, estão apenas tentando sobreviver em um mundo que não os acolhe”, pontua a autora do livro Além do Diagnóstico.
Com experiência que une a psicopedagogia e a clínica terapêutica, Marcela Santana defende que o diagnóstico tardio é um convite à reflexão sobre a exclusão social. “Cuidar da saúde mental deve ser uma prioridade diária. Falar sobre autismo adulto é prevenir que problemas maiores encontrem espaço para crescer na vida de quem passou décadas sem respostas”, conclui.