terça, 31 de março de 2026
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REESTRUTURAÇÃO DA BRASKEM TEM DESAFIOS PELA FRENTE, MAS HÁ DUAS BOAS NOTÍCIAS

Redação - 31/03/2026 17:40 - Atualizado 31/03/2026

A reestruturação financeira da Braskem está afunilando e a situação não parece boa. A previsão é que a gestora IG4 assuma as ações da Novonor  (ex-Odebrecht), atual controladora, apenas em maio. Enquanto isso, a empresa, cujo outro acionista relevante é a Petrobras, tem dois grandes riscos no radar.

A petroquímica precisa ter condições de honrar o pagamento dos cupons de juros de seus bonds no mercado internacional que vencem entre junho e julho, estimados em mais de US$ 100 milhões, considerando os títulos com vencimento em 2028, 2030, 2031 e 2041. Além disso, tem o crédito stand-by de US$ 1 bilhão que vence em dezembro de 2026.

Por outro lado, a situação da Braskem Idesa, joint venture da Braskem no México, adiciona uma camada de risco a mais. A subsidiária deixou de pagar juros de seus bonds em novembro de 2025 e em fevereiro de 2026, o que levou as agências de classificação de risco a rebaixar sua nota para o equivalente a calote.

A Braskem Idesa negocia com detentores de seus bonds uma reorganização da estrutura de capital que pode envolver um pedido de Chapter 11, o equivalente a uma recuperação judicial nos Estados Unidos. Até o momento, as partes não chegaram a um consenso.

E os números do quarto trimestre de 2025, divulgados na madrugada desta sexta-feira (27), mostraram o tamanho da conta acumulada de forma atualizada. A Braskem registrou prejuízo líquido de R$ 10,3 bilhões no trimestre e de R$ 9,9 bilhões no ano. (Veja aqui).

Por trás da crise de endividamento, duas  boas notícias.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou sem vetos a Lei Complementar 228/26, que reduz tributos para empresas das indústrias química e petroquímica que participam de um regime fiscal especial. A norma vale como uma regra de transição até a entrada em vigor do novo modelo tributário, prevista para 2027.

E o conflito no Oriente Médio, iniciado por Estados Unidos e Israel contra o Irã e que escalou nas últimas semanas com ataques iranianos a Dubai, Bahrein e Qatar e restrições no Estreito de Ormuz, está provocando alta nos preços do petróleo e da nafta e, por consequência, nos spreads petroquímicos.

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