

O número de brasileiros inadimplentes atingiu um novo recorde em fevereiro de 2026, chegando a 81,7 milhões de pessoas, segundo levantamento do “Mapa da Inadimplência” da Serasa. Em comparação com o mesmo período de 2016, quando havia 59 milhões de negativados, o crescimento foi de 38%.
Além do aumento no número de devedores, o valor médio das dívidas também subiu. Em 2016, cada consumidor devia, em média, R$ 5.880,02. Já em 2026, esse valor passou para R$ 6.598,13, uma alta de 12,2%.
Mesmo com a redução recente da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária, que levou a Taxa Selic a 14,75%, especialistas avaliam que o cenário não deve melhorar no curto prazo. A inadimplência vem batendo recordes consecutivos desde 2021.
De acordo com a economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, a inadimplência não depende apenas dos juros, mas também do nível de atividade econômica. Mesmo em períodos de juros mais baixos, como em 2020, o número de inadimplentes já era elevado.
Outro fator de pressão é o alto comprometimento da renda. Em média, os brasileiros destinam 70,5% do que ganham para despesas básicas, como moradia, contas de consumo e pagamento de dívidas. Com isso, débitos em atraso acabam ficando em segundo plano.
Segundo Aline Vieira, o aumento do custo de vida tem agravado a situação. Cerca de 70% dos brasileiros relatam que os gastos subiram no último ano, principalmente com supermercado, contas recorrentes e moradia.
O perfil da inadimplência também mudou ao longo dos anos. Hoje, ela se concentra principalmente entre pessoas de menor renda: 48% dos inadimplentes ganham até um salário mínimo, e 30% recebem até dois salários mínimos. As mulheres passaram a representar mais da metade desse público, muitas vezes por serem as principais responsáveis financeiras do lar.
Além disso, houve crescimento da participação de idosos, que já correspondem a 19% dos negativados grupo mais exposto a golpes financeiros, especialmente com o avanço de tecnologias digitais.
O setor financeiro segue como principal origem das dívidas, respondendo por cerca de 45% dos débitos aumento significativo em relação ao período pré-pandemia. Com isso, o crédito disponível tende a ficar mais caro e restrito, dificultando ainda mais a recuperação financeira das famílias.
A expectativa, segundo especialistas, é de que o país ainda enfrente um período prolongado de alta inadimplência, impulsionado pelo custo de vida elevado, crédito caro e incertezas econômicas.
Foto: Reprodução