

Neste domingo (22), a campanha Sombreamento Zero realiza uma ação pública na Praia da Barra, em Salvador, para chamar atenção para os impactos do sombreamento das praias causado pela especulação imobiliária. O ato acontece a partir das 8h, em frente ao Barravento, reunindo moradores, movimentos sociais, pesquisadores e ativistas em defesa do direito à cidade e da preservação da orla.
No Farol da Barra, onde diariamente o pôr do sol é um espetáculo coletivo, a campanha propõe uma reflexão: até que ponto o avanço de empreendimentos imobiliários pode comprometer o acesso ao sol, à paisagem e ao equilíbrio climático da cidade?
Segundo a organização, o sombreamento das praias já é uma realidade em áreas como Ondina e Jaguaribe, e há risco iminente de avanço em regiões como Rio Vermelho, Buracão e Stella Maris. O fenômeno é apontado como um problema socioambiental, com impactos na qualidade de vida urbana, na economia local e no aumento das desigualdades.
A campanha integra o Observatório do PDDU sob coordenação da 1ª Promotoria de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo. Entre seus objetivos estão ampliar a conscientização pública sobre os efeitos do sombreamento e pressionar o poder público pela adoção de medidas que previnam e mitiguem esses impactos.
Além da mobilização presencial, a campanha aposta em estratégias de comunicação multicanal — combinando ações digitais, articulação com redes comunitárias e incidência na mídia — para ampliar o debate e engajar diferentes setores da sociedade.
“Não existe desenvolvimento que comprometa o meio ambiente, a paisagem e o direito coletivo à cidade. O que está em jogo não é apenas um bairro, mas o futuro climático e urbano de Salvador”, afirmam os organizadores do SOS Buracão.
A mobilização também destaca decisões judiciais recentes favoráveis à pauta e reforça a necessidade de continuidade da pressão social para garantir um processo urbano mais justo e participativo.
O ato convida a população a participar levando cartazes, cangas e mensagens em defesa da cidade. A proposta é ocupar simbolicamente a praia e reafirmar que o acesso ao sol e à orla é um direito coletivo.