

O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, defendeu que a sociedade precisa conhecer com clareza o impacto da mudança de escala sobre o preço de serviços essenciais. Segundo ele, a medida tende a encarecer atividades do dia a dia e a transferir esse custo ao consumidor, especialmente ao de baixa renda, com aumentos que, em média, podem variar de 7% a 14% em restaurantes e em clínicas médicas, respectivamente.
Segundo o presidente-executivo da Abrasel, o consumidor precisa estar informado de forma clara sobre essa discussão, porque é ele quem tende a absorver o custo da medida. Ao falar sobre a escala, Solmucci afirmou a inviabilidade da mudança compulsória da escala 6×1 para 5×2 em setores de serviço, especialmente em bares e restaurantes.
Na sequência, Solmucci sustentou que a sociedade ainda não tem dimensão suficiente do impacto econômico de uma mudança compulsória na escala. Segundo ele, em bares e restaurantes, esse repasse poderia significar, em média, alta de 7% a 8% nos preços. Em clínicas médicas, o impacto médio poderia chegar a 14% ou 15%. Por isso, a mensagem central da Abrasel é que o debate precisa apresentar com clareza que quem arca com esse custo é o consumidor, que será onerado no acesso a serviços essenciais.
Para a Abrasel, esse efeito tende a recair com mais força sobre consumidores de baixa renda, que têm menor margem para absorver reajustes em despesas recorrentes. Por isso, o debate não pode se limitar à relação entre empresa e trabalhador. Ele precisa incorporar também os efeitos sobre o custo de vida e sobre o acesso da população a serviços essenciais.
O presidente da Abrasel também chamou atenção para o impacto social de uma alteração feita sem considerar a realidade do mercado de trabalho. Em um cenário de escassez de mão de obra e pleno emprego, negócios com maior capacidade de pagamento tenderiam a atrair trabalhadores de regiões periféricas e de áreas mais vulneráveis.
“O efeito seria mais duro justamente sobre os estabelecimentos menores e sobre os territórios com menor dinamismo econômico. Essa dinâmica aprofundaria desigualdades. De um lado, empresas mais estruturadas teriam melhores condições de recompor equipes. De outro, pequenos negócios perderiam competitividade na disputa por trabalhadores”, comenta.
Foi nesse contexto que Solmucci afirmou a inviabilidade da mudança compulsória da escala 6×1 para 5×2 em setores de serviço, especialmente em bares e restaurantes. A escala, nesse caso, está ligada à necessidade de manter a operação em funcionamento de forma contínua, em linha com o comportamento do consumidor. Trata-se de uma atividade que depende de atendimento ao longo de toda a semana, inclusive em fins de semana e horários de maior demanda. Por isso, a discussão sobre escala não pode ser tratada da mesma forma que em outros segmentos.
Segundo Solmucci, a substituição da escala 6×1 pela 5×2 implicaria aumento de cerca de 20% no custo da mão de obra. No caso de bares e restaurantes, isso representaria repasse estimado ao consumidor. Em outros setores ainda mais intensivos em trabalho, o impacto pode ser superior. Na prática, isso significa pressão sobre preços, perda de margem, dificuldade de contratação e maior risco para operações de menor porte.
A fala aconteceu no debate “Caminhos do Brasil”, promovido pelo jornal O Globo, Valor Econômico e a Rádio CBN. A mediação foi da colunista Vera Magalhães. Participaram também do debate o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), o economista e professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, Naercio Menezes Filho, e José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP.