quarta, 18 de março de 2026
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DOR INTENSA NO ROSTO PODE SER NEURALGIA DO TRIGÊMEO, CONDIÇÃO QUE GANHOU ATENÇÃO APÓS RELATO DE LÍVIA ANDRADE

João Paulo - 18/03/2026 10:19

O relato recente da apresentadora Lívia Andrade sobre o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo chamou atenção para uma condição neurológica que pode provocar crises de dor extremamente intensas na face. Muitas vezes confundida com dor de dente, sinusite ou enxaqueca, a doença ocorre quando o nervo trigêmeo, que é responsável pela sensibilidade do rosto, sofre irritação ou compressão.

Segundo a neurologista Priscila Rosa, da Clínica IBIS, o problema está relacionado a uma alteração no funcionamento do nervo. “O nervo trigêmeo pode sofrer uma compressão que leva à lesão das fibras nervosas. Quando isso acontece, o nervo passa a receber estímulos de forma exagerada, desencadeando crises de dor muito intensas”, explica.

A neuralgia do trigêmeo costuma se manifestar por meio de episódios súbitos e curtos de dor facial, descritos por muitos pacientes como choques elétricos. “As dores podem ocorrer em forma de choques, queimação ou fisgadas na região da face, durando alguns segundos ou minutos e podendo se repetir várias vezes ao longo do dia”, afirma a especialista.

Outro ponto que diferencia a neuralgia do trigêmeo de outros tipos de dor é a forma como ela se manifesta. De acordo com a neurologista, as crises costumam ser rápidas, não respondem a analgésicos comuns e podem ser desencadeadas por estímulos simples. “Um toque leve no rosto pode provocar dor intensa. Além disso, a dor segue o trajeto do nervo afetado”, explica.

Embora possa atingir pessoas de diferentes perfis, a condição é mais comum em mulheres acima dos 50 anos. Ainda assim, homens e pacientes mais jovens também podem desenvolver o problema.

Em alguns casos, a neuralgia do trigêmeo pode estar associada a outras condições, como doenças autoimunes. “A esclerose múltipla, que é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso, pode estar relacionada ao surgimento da neuralgia do trigêmeo. Processos inflamatórios ou infecções virais que acometem os nervos também podem desencadear o quadro”, destaca Priscila Rosa.

Tratamentos modernos ajudam a reduzir as crises de dor

O tratamento varia de acordo com a causa e a intensidade dos sintomas. Entre as opções estão medicamentos que ajudam a estabilizar o funcionamento do nervo e reduzir os impulsos de dor. “Utilizamos medicamentos específicos para controlar a atividade do nervo, como a carbamazepina. Em alguns casos também podem ser indicados procedimentos intervencionistas minimamente invasivos ou cirurgias que aliviam a compressão do nervo”, explica a neurologista.

Entre os procedimentos disponíveis estão técnicas como compressão do gânglio do nervo por balão, aplicação de toxina botulínica e, em situações mais complexas, a descompressão microvascular — cirurgia que afasta o vaso sanguíneo responsável por pressionar o nervo.

Apesar de ser uma condição que pode impactar significativamente a qualidade de vida, o diagnóstico correto e o acompanhamento médico permitem controlar os sintomas. “Com avaliação especializada e tratamento adequado, é possível reduzir as crises de dor e melhorar a qualidade de vida do paciente”, conclui a médica.

Crédito: Freepik

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