

O Brasil caminha para ter sua menor safra de trigo desde 2021. A Conab estimou nesta sexta-feira (13) que a produção da temporada 2026/27 será de 6,9 milhões de toneladas métricas, uma queda de 12,3% em relação ao ciclo anterior. O número confirma projeções da consultoria Safras & Mercado, que havia estimado 6,86 milhões de toneladas.
O plantio nos principais estados produtores está previsto para começar em abril, mas a área cultivada deve ser menor. A Safras projeta redução de 15,5% em relação ao ano passado, para 1,99 milhão de hectares, enquanto a Conab estima queda mais conservadora de 5,2%, para 2,32 milhões de hectares.
Pressões econômicas e climáticas
O recuo na produção está ligado a custos elevados e riscos climáticos. Segundo o analista da Safras, Elcio Bento, “o principal impedimento é a deterioração entre o preço do trigo e o custo dos insumos”. O aumento recente no preço de fertilizantes, especialmente nitrogenados, e o conflito no Oriente Médio afetando embarques pelo Estreito de Ormuz pressionam ainda mais os custos de produção.
Além disso, produtores estão preocupados com a possibilidade de o fenômeno climático El Niño atingir a região sul no segundo semestre, elevando o risco de chuvas excessivas que podem comprometer a qualidade do grão. Créditos limitados, seguros agrícolas caros e perdas financeiras em safras recentes também reduzem a disposição de assumir riscos.
O Brasil é o segundo maior produtor de trigo da América do Sul, mas ainda depende de importações para atender à demanda interna, o que torna qualquer redução na safra preocupante para o mercado e para a economia do setor agropecuário.
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