terça, 10 de março de 2026
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POR QUE CARROS DE LUXO NA ARGENTINA ESTÃO SENDO VENDIDOS COM DESCONTO DE ATÉ R$ 200 MIL?

João Paulo - 10/03/2026 10:20 - Atualizado 10/03/2026

Dezenas de carros de luxo na Argentina receberam grandes descontos nos últimos dias. A Audi reduziu em US$ 37 mil (R$ 192 mil, em conversão direta) o preço do RS Q8, que agora custa US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão). A Ford passou a vender o Mustang GT por US$ 65 mil (R$ 338 mil). Antes, o preço de tabela no mercado argentino era de US$ 90 mil (R$ 470 mil), uma diferença de US$ 25 mil (R$ 132 mil).

Já o Mustang Dark Horse, mesma versão vendida no Brasil, custa US$ 75 mil (R$ 390 mil). Antes, essa configuração saía por US$ 97 mil (R$ 505 mil) na Argentina. Carros da Toyota, Lexus e Mercedes também têm descontos consideráveis, em média de 15%. A explicação está no fim de parte do imposto interno aplicado a veículos, embarcações, aviões e outros itens de maior valor. A iniciativa foi aprovada no Senado argentino junto com uma polêmica reforma trabalhista no fim de fevereiro.

Apelidado de “imposto do luxo”, essa alíquota de 18% atingia carros que ultrapassavam 79 milhões de pesos argentinos (R$ 290 mil). Na prática, porém, a taxa chegava a 21,95% por causa da incidência conjunta com outros tributos. O imposto era aplicado sobre o valor do carro ao chegar à loja, e não sobre o preço final ao cliente. Após a inclusão das margens da concessionária, ele acabava incidindo, na prática, sobre veículos vendidos por mais de 105 milhões de pesos (R$ 385 mil).

Em fevereiro de 2025, um decreto do presidente Javier Milei já havia reduzido impostos internos sobre carros do segmento médio. “Esse imposto foi usado como ferramenta de política monetária quando havia uma diferença muito grande entre a cotação do dólar oficial e a do dólar paralelo”, explica Sebastián M. Domínguez, contador especializado em tributação da SDC Assessores, na Argentina.

Segundo Domínguez, durante o governo da presidente Cristina Kirchner as alíquotas subiram com a justificativa de proteger o mercado. Em alguns casos, a taxa de 35% podia chegar a 50% devido à diferença entre as cotações, afirma. “Havia receio de fuga de dólares, mas hoje já não existe essa diferença tão grande”, diz Domínguez.

Foto: Divulgação / Ford

Foto: Divulgação / Audi

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