terça, 03 de março de 2026
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PRESIDENTE DO SENADO NEGA PEDIDO DE ANULAÇÃO DA QUEBRA DE SIGILOS DE LULINHA

VICTOR OLIVEIRA - 03/03/2026 18:15

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), recusou nesta terça-feira (3) o pedido para anular a decisão da CPMI do INSS que autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O recurso foi apresentado por 14 deputados e senadores da base governista, que alegavam suposta irregularidade na condução da votação pelo presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG). Alcolumbre, no entanto, avaliou que “a suposta violação das normas regimentais não se mostra evidente e inequívoca” e que, mesmo havendo equívoco, os governistas não teriam quórum suficiente para reverter o resultado.

A votação da CPMI ocorreu no dia 26 de fevereiro e aprovou a quebra dos sigilos de Lulinha para o período de 1° de janeiro de 2022 a 31 de janeiro de 2026. A sessão foi tumultuada: o governo tentou que todos os 87 requerimentos fossem votados em bloco, enquanto a oposição defendia votação individual. Após a aprovação, houve confronto físico entre parlamentares, levando a TV Senado a interromper a transmissão.

As investigações da CPMI incluem alegações de que Lulinha teve voos e hospedagens custeados por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso por suspeita de fraudes que lesaram aposentados e pensionistas. Segundo interlocutores, Lulinha teria viajado a Portugal para visitar uma fábrica de cannabis medicinal com Antunes, sem fechar negócio ou receber pagamento adicional.

A conexão entre Lulinha e Antunes teria se dado por meio de Roberta Luchsinger, ex-mulher do ex-delegado e ex-deputado Protógenes Queiroz, que atua com advocacy em Brasília. A viagem incluiu embarque em voo de primeira classe de Guarulhos para Lisboa em 8 de novembro de 2024, com passagens e hospedagem custeadas por Antunes, conforme relato de Lulinha.

A decisão de Alcolumbre mantém, portanto, a validade da quebra de sigilos, permitindo que a CPMI continue com as apurações envolvendo o filho do presidente e possíveis conexões com esquemas investigados no INSS.

Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

 

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