

Nenhuma economia do mundo garante às mulheres as mesmas oportunidades econômicas dos homens. É o que aponta o relatório Mulheres, Negócios e a Lei 2026, publicado pelo Banco Mundial, que levou em conta 190 economias do planeta, como países e regiões administrativas e territórios.
O documento mostra, ainda, que as mulheres desfrutam de apenas 66% dos direitos legais dos homens em todo o mundo. E apenas 4% das mulheres vivem em países “próximos da plena igualdade”, perante a lei.
A advogada especialista em gênero e desenvolvimento do Banco Mundial, Natália Mazoni, explica que os dados comprovam a necessidade de os países continuarem em busca de mais avanços no assunto, mesmo aqueles com boas leis.
“Nesses contextos, as mulheres e os homens têm direitos equivalentes em grande parte das dez áreas analisadas pelo relatório, mas ainda existem lacunas pontuais. Por exemplo, proteções no mercado de trabalho ou incentivo ao empreendedorismo feminino, que poderiam fortalecer ainda mais essa igualdade. E o fato de nenhum país alcançar pontuação máxima reforça que a igualdade legal completa ainda não foi atingida em nenhuma parte do mundo. E mesmo as economias com maior desempenho, elas ainda têm espaço e também a responsabilidade de continuar avançando rumo à igualdade.”.
Natália Mazoni afirma que essa realidade – que cria barreiras no acesso das mulheres a empregos e ao empreendedorismo – é atribuída a diversos fatores, como a fiscalização e o financiamento.
“E isso acontece porque as leis precisam ser acompanhadas de regulamentos claros, instituições capacitadas, orçamentos adequados e fiscalização ativa, dentre outros aspectos, para garantir o cumprimento da lei. Sem esses elementos, o direito existe no papel, mas não existe na vida real. Mesmo quando nós temos boas leis, elas talvez não produzam resultados se não há aplicação adequada e se as normas sociais continuam moldando e, muitas vezes, limitando as oportunidades econômicas das mulheres”.
foto: Tomaz Silva/Agência Brasil



