quarta, 06 de maio de 2026
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APÓS MUDANÇA, PREFEITURA DE SALVADOR NEGA CRIAÇÃO DE NOVAS LINHAS PARA A RODOVIÁRIA DE ÁGUAS CLARAS

Bruna Carvalho - 03/03/2026 11:00 - Atualizado 03/03/2026

A mudança da rodoviária de Salvador da região do Iguatemi para o Terminal de Águas Claras tem provocado questionamentos entre usuários que dependem exclusivamente do transporte por ônibus convencional para acessar o equipamento. Antes da transferência, diversos bairros contavam com linhas diretas até o terminal antigo, facilitando o deslocamento sem necessidade de integrações.

Entre as linhas que faziam esse trajeto direto estavam a 0339 (Rodoviária Circular R1), 0341 (Rodoviária Circular R2), 1612 (Vista Alegre/Paripe x Rodoviária), 0219 (Ribeira x Rodoviária) e 1309 (Colina Azul x Rodoviária). Com a desativação da rodoviária no Iguatemi, essas conexões seguem apenas até o Terminal Shopping da Bahia, e até o momento não foram anunciadas linhas equivalentes com destino direto ao novo terminal em Águas Claras.

Procurada pela redação do portal Bahia Econômica, a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) informou, por meio de nota, que “toda a cidade está conectada através da Rede Integrada de Transportes, permitindo que os usuários cheguem a qualquer ponto da cidade através da integração, pagando o valor de apenas uma tarifa”.

Segundo a pasta, a nova rodoviária conta com um terminal de ônibus urbano integrado e com estação de metrô, o que, de acordo com a secretaria, facilita o deslocamento de chegada e saída do equipamento. A Semob também afirmou que acompanha a movimentação no novo terminal e que foram criadas 21 novas linhas para atender a região. “Se for identificada a necessidade de ajustes operacionais, estes serão devidamente avaliados pelas equipes técnicas da pasta”, destacou.

Apesar da garantia de integração tarifária, moradores de bairros da Cidade Baixa e do Subúrbio Ferroviário — como Paripe, Ribeira, Vista Alegre e Itacaranha — relatam preocupação com o aumento do tempo de deslocamento e a necessidade de múltiplas conexões, especialmente para quem não possui acesso direto ao metrô ou ao BRT.

Em entrevista, Flávio Santos, morador da Cidade Baixa a mais de 25 anos, relatou a dificuldade para acessar a nova rodoviária sem uma linha direta. “O tempo de deslocamento chega a 1h. Tenho que pegar dois ônibus ou um ônibus e um metrô para conseguir acessar o local. Antes tínhamos 2 linhas diretas para a rodoviária”.

Flávio ainda conta que já aconteceu de perder o ônibus na rodoviária diversas vezes por conta disso. “Mesmo me programando e comprando a passagem antecipada, já ocorreu algumas vezes de chegar no local e o ônibus já ter saído. A espera entre um ônibus e outro, ou entre o ônibus e o metrô, atrasa tudo”.

A secretaria não detalhou quantos bairros atualmente não possuem ligação direta com o Terminal de Águas Claras, nem apresentou lista específica das localidades impactadas pela ausência de linhas exclusivas. Também não confirmou a criação de novas linhas diretas substituindo as antigas rotas que atendiam o terminal do Iguatemi.

 

Quem vem de fora também reclama

Inaugurado a quase dois meses, o novo Terminal Rodoviário de Salvador movimentou mais de 650 mil usuários no primeiro mês, com fluxo diário superior a 20 mil passageiros. Ligada diretamente a Estação de Metrô de Águas Claras e ao Terminal de Ônibus Urbano, com previsão de futura conexão ao VLT, o modal ainda recebe reclamações de quem vem de fora da cidade e deseja acessar as regiões mais distantes do centro de Salvador.

“O VLT ainda não está pronto, como faço para chegar ao subúrbio sem uma linha direta? Lá também não tem metrô”, indaga Maria do Carmo, residente da Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Segundo Maria, a cada 15 dias ela vem a Salvador visitar sua mãe de 86 anos, que reside no Subúrbio Ferroviário. Desde a mudança do modal para Águas Claras, ela conta que o trajeto, anteriormente de 2h horas, agora chega a quase 3h.

“Antes eu levava 1h para chegar na rodoviária do Iguatemi e depois pegava um ônibus para a casa da minha mãe no terminal da frente. Esse percurso levava em média mais 1h. Agora eu preciso pegar dois metrôs até a estação Iguatemi e outro ônibus para conseguir chegar lá. Isso leva em torno de 1h30/2h”, revela.

Com a reconfiguração do sistema, o debate agora gira em torno da eficiência da integração como solução para regiões historicamente dependentes de linhas diretas, especialmente em áreas onde o deslocamento já é marcado por longos percursos até o centro expandido da cidade.

Foto: Joá Souza/GOVBA

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