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RELATÓRIO DO CONGRESSO DOS EUA DIZ QUE SALVADOR ESTÁ COM BASE MILITAR CHINESA SECRETA

João Paulo - 02/03/2026 08:59

Um arquivo divulgado pelo Congresso dos Estados Unidos nessa quinta-feira (26) acusa o Brasil, assim como outros países da América Latina, de possuírem bases militares chinesas para lançamentos especiais. A base no Brasil seria em Salvador, na Bahia, na sede da Ayla Space, uma empresa brasileira do setor aeroespacial.

No documento, a base é intitulada como ‘Tucano Ground Station’. Esse projeto é feito pela Ayla ao lado da empresa aeroespacial chinesa Beijing Tianlian Space Technology Co. Ltd. Seu desenvolvimento foi para analisar dados de satélites em observação da Terra para monitoramento dentro do Brasil.

Intitulado ‘Atraindo a América Latina para a Órbita da China’, o relatório descreve as supostas estratégias multifacetadas nas áreas diplomática, econômica, tecnológica e militar que a China tem empregado para aprofundar sua influência na América Latina e no Caribe, levantando questões críticas sobre o futuro das alianças globais e da segurança regional.

Ele abrange múltiplos setores e retrata um possível esforço sistemático de Pequim para integrar as economias latino-americanas à sua própria, principalmente por meio de investimentos maciços em infraestrutura, extração de minerais críticos e implantação de redes de telecomunicações avançadas.

Para o comitê que realizou o arquivo, voltado para as relações exteriores americanas com a China, esses esforços não são meras transações econômicas isoladas, mas parte de uma estratégia geopolítica mais ampla, concebida para alterar o equilíbrio de poder em uma região tradicionalmente alinhada aos Estados Unidos. Dentro do relatório, o Brasil é citado em quinze ocasiões. Algumas com outros países da América do Sul como de influência e outras vezes de forma mais específica. Além da base, outra citação é de um laboratório de radioastronomia entre Brasil e China na Serra do Urubu, que focaria no desenvolvimento de tecnologia avançada.

‘O laboratório se concentrará no desenvolvimento de tecnologia de ponta para apoiar a observação astronômica e a exploração do espaço profundo. Seu mandato inclui a coordenação da exploração internacional e da cooperação científica internacional, planejamento de grandes iniciativas de pesquisa e tradução da inovação científica em aplicações tecnológicas mais amplas. Notavelmente, como o CESTNCRI está profundamente integrado à base industrial de defesa da China, as aplicações tecnológicas mais amplas desses sistemas de observação do espaço profundo podem ter capacidades de uso duplo para inteligência militar, serviço aéreo e rastreamento de alvos não cooperativos’.

Ainda de acordo com o texto, no centro da estratégia da China na América Latina estaria uma ideia global de desenvolvimento de infraestrutura de grande escala. O relatório do comitê destaca como Pequim conseguiu atrair dezenas de nações latino-americanas e caribenhas para a iniciativa. Por meio dessa iniciativa, empresas estatais chinesas e suas afiliadas financiaram e construíram projetos de infraestrutura vitais, incluindo portos de águas profundas, rodovias, ferrovias e redes de energia.

Além disso, o relatório detalha como a dependência econômica é cultivada por meio do comércio bilateral. Nas últimas duas décadas, o comércio entre a China e a América Latina disparou, tornando a China o maior parceiro comercial de diversas nações sul-americanas, incluindo Brasil, Chile e Peru. O documento sugere que essa dependência econômica cria uma vulnerabilidade, permitindo que Pequim exerça pressão política sobre os países parceiros quando seus interesses fundamentais estão em jogo.

Foto: Reprodução

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