

Durante discurso no plenário da Câmara Municipal de Salvador, na tarde desta segunda-feira (23), o vereador Téo Senna (PSDB) criticou a forma como o Governo do Estado conduziu o processo de desapropriação do prédio da Fundação João Fernandes da Cunha, localizado no Largo do Campo Grande. Segundo o edil, a instituição cultural foi surpreendida pela notícia da demolição da sede por meio da imprensa, sem qualquer notificação oficial ou diálogo prévio.
De acordo com Senna, a fundação abriga uma biblioteca com mais de 18 mil livros, recebe estudantes das redes pública e privada, promove eventos culturais e acolhe entidades como a Academia Baiana de Educação (ABE) e o Grupo de Ação Cultural da Bahia (GACBA). “Isso não é apenas uma questão urbanística. Isso é uma questão de respeito”, afirmou o vereador, ao destacar o papel histórico e educacional da instituição para a capital baiana.
O prédio, construído em 1884 e que já sediou o tradicional Clube Cruz Vermelha, foi restaurado pelo professor João Fernandes da Cunha e reinaugurado há 25 anos. Para o vereador, o decreto estadual publicado no último dia 18 de dezembro, prevendo a demolição para a implantação de uma estação da nova linha do metrô (Lapa–Campo Grande), foi feito às vésperas das festas de fim de ano e sem o devido debate público.
Durante o discurso, Senna ressaltou que desenvolvimento não pode significar atropelo. “Quando a gente vai reformar a própria casa, não chega com marreta na mão dizendo: ‘Sai que agora eu vou quebrar a parede’”, comparou. Para ele, faltaram estudos de alternativas, audiências públicas e diálogo com a instituição e com a sociedade.
O edil também cobrou posicionamento de setores que, segundo ele, costumam se manifestar em defesa do patrimônio histórico e da educação. “Modernizar não significa demolir a história”, declarou. Ao encerrar, Téo Senna afirmou que a Câmara Municipal não pode se calar diante da possível demolição de uma relíquia arquitetônica do Campo Grande. “A Bahia não pode ser governada por decreto de surpresa. Eu, como vereador, professor e cidadão, não vou me calar diante de um governo que trata a história como entulho”, concluiu.
Foto: Antonio Queirós (Ascom/CMS)