

O Março Lilás chama a atenção para a prevenção do câncer do colo do útero, uma doença que ainda registra números expressivos no Brasil, apesar de ser amplamente evitável. A campanha reforça a importância do exame preventivo Papanicolau e da vacinação contra o HPV, principais estratégias para reduzir a incidência e a mortalidade.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 19,3 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028. Na Bahia, a estimativa é de aproximadamente 1.370 novos casos apenas em 2026, colocando a doença entre as mais incidentes entre as mulheres no estado. Os dados são oficiais e constam na publicação Estimativa 2026 – Incidência de Câncer no Brasil, do Ministério da Saúde.
Doença evitável – De acordo com André Bouzas, cirurgião oncológico do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), o câncer do colo do útero está diretamente relacionado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), vírus sexualmente transmissível bastante comum. “A vacinação, oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes, é considerada uma das formas mais eficazes de prevenção”, destaca.
Já o exame Papanicolau permite identificar alterações celulares ainda em fase inicial, antes mesmo do surgimento do câncer. Quando detectada precocemente, a doença apresenta altas chances de cura.
Diagnóstico e tratamento – “O grande diferencial desse tipo de câncer é que ele pode ser prevenido e tratado de forma muito eficaz quando diagnosticado cedo”, afirma André Bouzas, que é especialista em cirurgia oncológica, laparoscópica e robótica. “O exame preventivo identifica lesões precursoras, o que evita que a doença evolua para estágios mais graves”, explica.
Ainda de acordo com o especialista, o tratamento depende do estágio em que o câncer é identificado. “Nos casos iniciais, muitas vezes a cirurgia é suficiente, podendo ser realizada por técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia ou a cirurgia robótica. Em situações mais avançadas, pode ser necessário associar radioterapia e quimioterapia”, afirma. A individualização do tratamento é fundamental para melhores resultados clínicos e qualidade de vida das pacientes.
Alerta para a Bahia – Os números estimados pelo INCA mostram que a Bahia concentra uma parcela significativa dos casos da região Nordeste, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso ao rastreamento e à informação. Para os especialistas, campanhas como o Março Lilás têm papel essencial para estimular mulheres a manterem o acompanhamento ginecológico regular.
“O câncer do colo do útero não pode mais ser encarado como uma sentença. Ele é, em grande parte, evitável”, destaca André Bouzas. “Vacina, exame preventivo e informação salvam vidas”, completa o médico do HMDS. Além da vacinação e do Papanicolau, o uso de preservativos ajuda a reduzir o risco de infecção pelo HPV, embora não ofereça proteção total. A orientação é que mulheres procurem regularmente os serviços de saúde, mesmo na ausência de sintomas.



