

Os preços do petróleo iniciaram a semana em queda no pregão asiático desta segunda-feira, revertendo parte do avanço expressivo observado na semana anterior. O mercado passou a reavaliar o prêmio de risco geopolítico diante da perspectiva de uma terceira rodada de negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, ao mesmo tempo em que novas incertezas na política comercial americana voltaram ao radar.
Por volta das 7 h de Brasília, os contratos futuros de petróleo Brent para abril recuavam 0,55%, a US$ 70,92 por barril. Já os futuros de petróleo West Texas Intermediate (WTI) cediam 0,54%, negociados a US$ 66,13 por barril.
Na semana passada, ambos os benchmarks haviam acumulado alta próxima de 6%, refletindo sinais de possível escalada entre Washington e Teerã e uma redução inesperada nos estoques de petróleo dos EUA, fator que reduziu a percepção de oferta no curto prazo e sustentou posições compradas em derivativos.
Irã e Estados Unidos devem se reunir novamente na quinta-feira, em Genebra, para uma terceira rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. A retomada do diálogo elevou as apostas de descompressão das tensões regionais, reduzindo parcialmente o componente especulativo embutido nos contratos futuros.
Em entrevista ao programa “Face the Nation”, da CBS, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que há probabilidade elevada de uma solução diplomática e que um entendimento estaria ao alcance. O mercado interpretou as declarações como indicativo de disposição para concessões, o que levou à recomposição de estratégias defensivas no complexo energético.
O Irã ocupa posição relevante dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e concentra algumas das maiores reservas comprovadas do mundo. Além disso, sua localização estratégica no Estreito de Ormuz, corredor por onde transita cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima, mantém o país no centro da equação geopolítica do setor. Qualquer deterioração no quadro regional pode afetar fluxos físicos, prêmios de seguro marítimo e custos de frete, com reflexos diretos na curva futura do Brent.
No campo macroeconômico, o presidente Trump anunciou um novo pacote tarifário global após a Suprema Corte invalidar seu programa anterior. Inicialmente, foi estabelecida uma alíquota de 10% sobre importações por 150 dias. No sábado, o governo elevou a taxa para 15%, limite previsto na legislação aplicável.
A mudança adiciona volatilidade às projeções de comércio internacional e atividade industrial. Tarifas mais altas tendem a pressionar cadeias globais de suprimentos e podem provocar retaliações comerciais. Em um cenário de menor dinamismo industrial e desaceleração dos fluxos comerciais, a demanda por combustíveis costuma perder tração, fator que pesa sobre as expectativas de consumo e sobre o posicionamento especulativo nos contratos futuros de petróleo.
Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras