

Segundo números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia tem o segundo rendimento médio mais baixo do Brasil. Os trabalhadores baianos recebem habitualmente R$ 2.284 por mês, aponta a, e divulgada na última sexta-feira (20).
Na edição anterior da pesquisa, entre 2024 e 2025, a Bahia tinha o terceiro menor valor. Em 2025, foi superada pelo Ceará (R$ 2.394) e caiu uma posição no ranking nacional dos rendimentos de trabalho, ficando acima apenas do Maranhão (R$ 2.228).
Segundo Mariana Viveiros, supervisora de Disseminação de Informações do IBGE, o valor médio recebido pelos baianos pode ser explicado pela informalidade, que voltou a crescer após dois anos em queda e atingiu um recorde este ano no estado. A cada 10 pessoas que começaram a trabalhar entre 2024 e 2025, oito estavam na informalidade, atuando sem carteira assinada ou registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).
Viveiros afirma que a informalidade dá espaço para vagas que pagam menos, com alta rotatividade e que não exigem uma grande especialização, para uma população que também tem desafios em termos educacionais – isso porque apenas 18% das pessoas ocupadas na Bahia têm ensino superior completo.
Edval Landulfo, economista e presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA) reforça que a baixa renda – e, consequentemente, o baixo poder de compra – afeta de forma estrutural a vida dos trabalhadores baianos, uma vez que limita o acesso a necessidades básicas, perpetua desigualdades sociais e expõe essas pessoas à insegurança alimentar.
“Esse cenário reflete diretamente na qualidade de vida da população e gera um efeito cascata que vai perpetuar a desigualdade e limitar o desenvolvimento econômico. Não podemos ficar apenas preocupados com o crescimento econômico”, defende. “A disparidade da renda na Bahia é um dos maiores desafios, com uma forte desigualdade racial e de gênero. Principalmente as mulheres negras na Bahia enfrentam as maiores dificuldades no mercado de trabalho, com salários ainda menores do que a média que já é baixa no estado.”
Entre as consequências do rendimento insatisfatório, Landulfo cita o baixo consumo e a fraca atividade econômica, uma vez que, com salários menores, o consumo de bens e serviços também diminui, freando a economia local. Adiciona também a dependência de transferência de renda pelos baianos. “A baixa remuneração no trabalho torna a população altamente dependente de programas sociais, principalmente os federais, como Bolsa Família, e estaduais também para a subsistência básica”, diz.(Correio)
Crédito: Arisson Marinho/CORREIO



