O rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro tornou-se um episódio polêmico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que viu a homenagem prevista para alavancar sua popularidade se transformar em alvo de críticas e ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A apresentação do desfile, que fez referência direta à imagem de Lula e ao PT — incluindo o jingle histórico, a cor vermelha, símbolos partidários e menções a programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Prouni — gerou protestos de evangélicos e setores da população tradicional, além de acionar partidos que acusam o PT de propaganda eleitoral antecipada. Representações foram apresentadas pelo Partido Novo e pelo Missão.
Segundo as ações, Lula teria não apenas consentido com a homenagem, mas estimulado o desfile, recebendo previamente dirigentes da escola no Palácio do Planalto. O partido Missão destacou que o presidente teve ampla exposição, incluindo figurantes com faixa presidencial, intérpretes formando o “L” com a mão, e alas inteiras com símbolos do PT.
Repercussão legal
O TSE havia rejeitado liminares para impedir o desfile, sob argumento de evitar censura prévia, mas alertou que o conteúdo seria observado para eventuais punições. As ações podem gerar multas de até R$ 25 mil ao PT, à escola de samba e a Lula.
Além disso, existe a possibilidade de, após o registro oficial das candidaturas, serem apresentadas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs), que podem solicitar sanções mais severas, incluindo cassação de mandato e inelegibilidade.
O episódio representa um desafio para a estratégia eleitoral do PT, evidenciando os limites da utilização de manifestações culturais em ano eleitoral e a atenção do TSE a atos que possam configurar propaganda antecipada.
Foto: EFE/ Antonio Lacerda







