

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra trabalhadores derrubando árvores e realizando intervenções em um terreno na região da Praia do Buracão, no Rio Vermelho, em Salvador, após a Prefeitura autorizar a demolição de imóveis e o início de obras no local. A movimentação ocorre durante o Carnaval e foi criticada pelo deputado estadual Robinson Almeida (PT), que atribuiu ao prefeito Bruno Reis (União Brasil) a responsabilidade política pela liberação do empreendimento.
Segundo o parlamentar, as imagens — recebidas por ele nesta quinta-feira (12)— mostram homens com equipamentos realizando a supressão de vegetação dentro do terreno onde funcionavam imóveis já autorizados pela prefeitura para demolição. No vídeo, é possível observar trabalhadores atuando na retirada de árvores e na preparação da área para as próximas etapas da obra. “A prefeitura concedeu a autorização e, agora, em pleno Carnaval, a empresa inicia a intervenção. É um símbolo do modelo de cidade que essa gestão defende: mais concreto, menos verde e pouca transparência com a população”, afirmou Robinson.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) autorizou a demolição de imóveis localizados na Rua Barro Vermelho, área próxima à praia, abrindo caminho para a construção de empreendimentos de grande porte. O projeto prevê edificações verticais em uma das regiões mais valorizadas e sensíveis do ponto de vista ambiental na capital baiana. Robinson Almeida criticou o Plano Diretor e a política urbana adotada na atual gestão municipal, que, segundo ele, tem favorecido a verticalização da orla e a expansão de empreendimentos imobiliários sem avaliar os impactos socioambientais.
“Salvador tem perdido qualidade de vida por adotar um modelo de desenvolvimento que suprime áreas verdes e espaços de convivência. O Buracão é um patrimônio natural da cidade e é a nova vítima da gestão do União Brasil”, criticou. O deputado também questionou os impactos ambientais da obra, citando possíveis efeitos sobre o ecossistema costeiro, o sombreamento da faixa de areia e a paisagem urbana do Rio Vermelho. “Estamos falando de uma intervenção numa área costeira sensível, que pode alterar o ecossistema local, provocar sombreamento permanente na faixa de areia e comprometer a paisagem urbana do Rio Vermelho. Não é apenas uma obra privada, é uma decisão política do prefeito que impacta toda a cidade”, analisou.



