sexta, 13 de fevereiro de 2026
Euro Dólar

ALIMENTAÇÃO FORA DE CASA SOBE ACIMA DA INFLAÇÃO E PRESSIONA AS DESPESAS DO FOLIÃO

Victoria Isabel - 13/02/2026 18:59

A inflação continua sendo um desafio para o orçamento das famílias brasileiras. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), com base no IPC-S, a cesta de produtos e serviços tipicamente consumidos no Carnaval acumulou alta de 2,86% em 12 meses (fev/25 a jan/26), após ter registrado queda de -1,08% no período anterior (fev/24 a jan/25).

No mesmo intervalo, o IPC-S/BR (média nacional das capitais acompanhadas pelo IPC) avançou 4,60%. Ou seja, no agregado, a cesta de Carnaval subiu menos do que a inflação geral, mas alguns itens — como alimentação fora de casa e bebidas — seguiram pressionando bem acima do índice.

O que mais chama atenção é a aceleração dos preços na alimentação fora de casa, componente central do consumo durante a folia. No agregado nacional, o grupo Alimentação da cesta de Carnaval avançou 7,41% em 12 meses, com destaque para refeições em bares e restaurantes (7,83%) e sanduíches (7,04%). Em mobilidade urbana, a alta foi de 2,87% no período, mas com forte heterogeneidade, enquanto as tarifas de metrô (2,16%) e ônibus urbano (2,39%) tiveram altas moderadas, a tarifa de táxi acumulou 8,19%, tornando o deslocamento em horários de pico um dos principais focos de pressão no orçamento.

Segundo Matheus Dias, economista responsável pelo levantamento, assim como em anos anteriores, curtir o Carnaval em 2026 tende a pesar no bolso. “Embora a inflação média da cesta de Carnaval (2,86%) tenha ficado abaixo do IPC-S/BR (4,60%), o consumidor sente a pressão porque os itens mais associados ao consumo no período — alimentação fora de casa e bebidas — avançaram a ritmos mais altos, e alguns serviços de mobilidade, como táxi, continuam encarecendo.”

Alimentação

A análise detalhada da cesta de alimentação, que reúne alimentos e bebidas fora de casa tipicamente consumidos no Carnaval, reforça essa tendência. Nos últimos 12 meses, refeições em bares e restaurantes subiram 7,83% e sanduíches, 7,04%. Entre as bebidas, refrigerantes e água mineral fora de casa avançaram 6,29%, enquanto cervejas e chopps acumularam alta de 5,10%. Outras bebidas alcoólicas também registraram elevação relevante, de 4,05%.

Com esse comportamento, a Alimentação como um todo (7,41%) se mantém como o principal vetor de alta da cesta de Carnaval, refletindo repasses de custos e a dinâmica de preços de serviços intensivos em mão de obra, típicos do consumo em bares, lanchonetes e restaurantes.

“É importante notar que, em serviços de alimentação fora de casa, os reajustes tendem a ser mais persistentes, pois refletem não apenas insumos, mas também custos de operação e mão de obra, que são mais rígidos a repasses de curto prazo. Por isso, mesmo quando a inflação média desacelera, esses itens podem permanecer pressionando o orçamento do consumidor”, destaca Matheus Dias.

Passagens e hospedagens

Assim como ocorre em feriados e pontos facultativos, a semana do Carnaval costuma movimentar o turismo. Nesse contexto, o grupo Passagens e hospedagens registrou queda de -10,87% no acumulado de 12 meses (fev/25 a jan/26), resultado principalmente da deflação das passagens aéreas (-17,63%), que mais do que compensou a alta dos hotéis (4,92%).

Na prática, isso significa que o custo de viajar de avião ficou, em média, mais baixo no período, ajudando a conter o gasto total do turista. Ainda assim, a alta de hospedagem indica que o bolso pode apertar para quem deixa a reserva para a última hora ou busca acomodação em regiões de maior demanda.

Mobilidade urbana

O deslocamento urbano é um aspecto importante em qualquer época do ano, inclusive no Carnaval. Em 12 meses, a inflação de mobilidade urbana na cesta avançou 2,87%, mas o destaque foi a tarifa de táxi (8,19%), que subiu bem acima de ônibus urbano (2,39%) e metrô (2,16%). Serviços de transporte por aplicativo tiveram variação mais contida (0,73%), compensado parcialmente por período de elevada volatilidade como meses de altas e quedas fortes. Já o aluguel de carros avançou 2,17%.

“Depois de um ciclo de reajustes mais concentrado em períodos anteriores, a pressão sobre ônibus e metrô ficou mais moderada no último ano. Ainda assim, serviços como táxi seguem com alta expressiva, o que pode encarecer o deslocamento justamente nos momentos de maior demanda durante a folia”, destaca Matheus Dias.

Foto: Reprodução/ Freepik

 

Copyright © 2023 Bahia Economica - Todos os direitos reservados.