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TECNOLOGIA E AVANÇO NA PREVENÇÃO GENÉTICA: O PAPEL DO TESTE GENÉTICO PRÉ-IMPLANTACIONAL NA MEDICINA REPRODUTIVA

João Paulo - 11/02/2026 10:55

À medida que cresce a busca por tratamentos de fertilidade cada vez mais seguros e personalizados, a medicina reprodutiva moderna oferece ferramentas capazes de transformar a experiência de milhares de casais. Entre essas estratégias, o teste genético pré-implantacional surge como uma tecnologia essencial para reduzir riscos associados a alterações cromossômicas e aumentar as chances de gestação saudável em ciclos de Fertilização in Vitro (FIV). Anomalias congênitas, que são alterações estruturais ou funcionais presentes ao nascimento, estão entre as principais causas de mortalidade e morbidade neonatal no Brasil e no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 6% dos bebês nascidos no mundo apresentam uma anomalia congênita e cerca de 240 mil mortes neonatais anuais são atribuídas a essas condições.

Dentre as causas conhecidas, alterações no número ou na estrutura dos cromossomos (como as observadas em casos de síndrome de Down), estão entre as que mais impactam o sucesso reprodutivo e a saúde perinatal. É nesse cenário que a tecnologia do teste genético pré-implantacional tem ganhado destaque nas clínicas de reprodução assistida. Realizado em embriões formados em laboratório durante um ciclo de FIV, esse exame analisa o material genético do embrião antes mesmo da sua transferência para o útero, permitindo identificar alterações cromossômicas ou genéticas que possam comprometer a implantação ou o desenvolvimento da gravidez.

“A análise genética embrionária com o teste genético pré-implantacional permite ao casal e ao médico compreender melhor o potencial de cada embrião, focando naqueles com maior chance de evoluir para uma gestação saudável”, explica a especialista em reprodução humana do IVI Salvador, Dra. Isa Rocha. “Esse método não substitui todos os cuidados clínicos, mas representa um importante avanço na tomada de decisões informadas”, complementa. Estudos científicos mostram que a utilização do teste pode reduzir o tempo de tratamento, diminuir o número de transferências embrionárias que não resultam em gravidez e reduzir a ocorrência de aborto clínico quando comparado aos ciclos de FIV sem análise genética.

Em pacientes com histórico de perdas gestacionais ou idade materna avançada, a técnica também tem demonstrado melhora nas taxas de implantação e nascimento vivo em grupos específicos, reforçando seu valor clínico em contextos selecionados. O teste genético pré-implantacional pode identificar embriões cromossomicamente normais (“euploides”), que têm maior probabilidade de se desenvolverem adequadamente, reduzindo o risco de falhas de implantação ou de abortamentos precoces relacionados a aneuploidias, alterações no número de cromossomos que representam uma das causas mais comuns de perda gestacional.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) tem visto um aumento consistente no número de ciclos de reprodução assistida ao longo dos anos, com mais de 384 mil ciclos de Fertilização in Vitro realizados na última década, um indicativo claro da importância de contínuo aperfeiçoamento técnico e científico na área. Embora o teste genético pré-implantacional não elimine completamente os riscos inerentes à gravidez, ele representa uma nova fronteira na medicina reprodutiva. Para muitos casais, especialmente os que enfrentam desafios como abortamentos de repetição, idade materna mais avançada ou histórico familiar de doenças genéticas, a tecnologia pode oferecer respostas e maior previsibilidade aos tratamentos.

“A evolução das ferramentas diagnósticas e das técnicas laboratoriais tem transformado o atendimento em reprodução assistida. O enfoque hoje é compreender profundamente cada caso, usar a tecnologia de forma criteriosa e oferecer ao paciente opções que equilibrem eficácia, segurança e bem-estar emocional”, explica a Dra. Isa Rocha.

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