terça, 17 de fevereiro de 2026
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COM ANO ELEITORAL À VISTA, VENTURE CAPITAL ATRAVESSA O PERÍODO COM MENOS EUFORIA E MAIS DISCIPLINA

João Paulo - 11/02/2026 05:00 - Atualizado 11/02/2026

Em um mercado já pressionado por juros elevados e maior seletividade de capital, o debate sobre os impactos das eleições de 2026 ganha força também entre fundos de Venture Capital e Private Equity, segmentos conhecidos por operar com horizontes de longo prazo e decisões menos reativas ao ruído político de curto prazo.

Para Victor Taveira, CEO da Acrux Capital, o efeito das eleições sobre esse tipo de investimento existe, mas não é determinante por si só. “Fundos de VC e PE trabalham com ciclos longos, de seis a  dez anos. A eleição influencia, claro, mas não é o fator central na tomada de decisão”, afirma. Segundo ele, o verdadeiro termômetro para o setor está nas condições macroeconômicas que afetam diretamente a captação junto aos investidores institucionais, os chamados limited partners (LPs).

Na avaliação do executivo, o atual patamar da taxa de juros segue como o principal entrave para a indústria. Juros elevados reduzem o apetite ao risco, dificultam novas captações e pressionam para baixo os valuations das empresas investidas. “Quando a taxa básica permanece muito alta por um período prolongado, o capital migra para ativos mais conservadores. Isso encolhe o tamanho da indústria de VC e PE e força uma reprecificação generalizada”, explica.

Esse cenário ajuda a entender por que o mercado financeiro acompanha com atenção o debate fiscal e as sinalizações de política econômica. Taveira destaca que, hoje, parte relevante dos investidores já considera como provável a continuidade do atual grupo político no poder em 2026. “Esse cenário está parcialmente precificado. Quem investe agora já entende esse risco e decide alocar capital mesmo assim”, diz.

Na visão do CEO da Acrux Capital, a maior fonte de volatilidade pode vir justamente de um desfecho diferente do esperado. Caso o resultado eleitoral aponte para um governo com foco maior em equilíbrio fiscal, controle da dívida e estímulo à produtividade, os efeitos seriam rápidos e cumulativos. “Haveria uma valorização imediata dos ativos, com melhora nos valuations, combinada a uma expectativa de queda mais consistente dos juros no médio prazo. Esses dois fatores juntos impulsionariam o mercado”, avalia.

Apesar do ambiente desafiador, Taveira não vê um cenário de estagnação completa. Pelo contrário. Em momentos de maior incerteza, surgem oportunidades para investidores dispostos a olhar além do ciclo político. “Os fundos mais experientes continuam ativos, mas muito mais seletivos. Bons ativos, com fundamentos sólidos e eficiência operacional, seguem atraindo capital, mesmo em um ano pré-eleitoral”, afirma.

O movimento, segundo ele, é de maturação do mercado. Menos euforia, mais disciplina e maior foco em negócios capazes de atravessar diferentes governos e cenários macroeconômicos. “A eleição entra no radar, mas não muda a lógica central. No fim do dia, o que sustenta o investimento é crescimento real, geração de valor e um ambiente macro que permita planejamento de longo prazo”, conclui.

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