segunda, 09 de fevereiro de 2026
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GASTOS DA CÂMARA COM DIÁRIAS INTERNACIONAIS SOBEM 78% NO PRIMEIRO ANO DA GESTÃO HUGO MOTTA

Bruna Carvalho - 09/02/2026 11:33 - Atualizado 09/02/2026

Os gastos da Câmara dos Deputados com diárias para alimentação e hospedagem em viagens oficiais aumentaram 78% no primeiro ano da gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB). O valor passou de R$ 2,1 milhões, em 2024, para R$ 3,8 milhões, em 2025, sem considerar a inflação do período, estimada em cerca de 5%.

Dados compilados pela Folha mostram que 202 dos 513 deputados federais solicitaram o benefício em 2025, contra 153 no ano anterior. O total de diárias concedidas subiu de 876 para 1.482.

Entre os destinos mais frequentes estão cidades como Londres, Roma, Genebra, Nova York, Buenos Aires e Lisboa — esta última no topo da lista, impulsionada pela realização do Fórum Jurídico conhecido como “Gilmarpalooza”. Em 2024, 33 deputados receberam diárias para a capital portuguesa; em 2025, foram 42.

Outros eventos internacionais também motivaram as viagens, como a Brazil Week, em Nova York; o fórum empresarial Lide, em Londres; o Fórum Esfera Internacional, em Roma; além de compromissos em Buenos Aires, Baku (Azerbaijão) e Uzbequistão.

Apesar dos valores elevados, as diárias cobrem apenas pequenas despesas locais, como transporte urbano, e não incluem passagens aéreas nem o uso de aeronaves da FAB pelo presidente da Câmara.

O deputado Cláudio Cajado (PP-BA), por exemplo, recebeu R$ 40 mil para custear passagens ao Uzbequistão e R$ 12 mil em diárias para participar da assembleia da UIP (União Interparlamentar). Cajado afirma que as missões são institucionais: “Fui eleito para um mandato na UIP por quatro anos e não represento a mim próprio, mas o Brasil e os países que integram o grupo geopolítico [da América Latina e Caribe]”.

Hugo Motta justificou o aumento das despesas citando o fortalecimento da diplomacia parlamentar. Segundo ele, o cenário internacional exige maior integração entre parlamentos. “Essa condição de liderança também eleva a atenção de parceiros estrangeiros para os trabalhos do Parlamento brasileiro, com a consequente demanda por contatos”.

O valor das diárias foi reajustado em 60% em abril de 2024 pelo então presidente Arthur Lira (PP-AL). Atualmente, os valores chegam a US$ 428 para viagens internacionais e R$ 842 para viagens nacionais, sendo maiores para o presidente da Casa.

Parlamentares como Murilo Galdino (Republicanos-PB), Pedro Paulo (PSD-RJ), Zé Vitor (PL-MG), Lucio Mosquini (MDB-RO) e Bia Kicis (PL-DF) também apresentaram justificativas para as missões oficiais, alegando compromissos institucionais, participação em fóruns internacionais, comissões temáticas e representação do Brasil no exterior.

Pedro Paulo defendeu a opção por custeio público em vez de patrocínio privado: “Quando recebo esses convites, eu não aceito que paguem a passagem. Eu prefiro que seja um gasto [da Câmara] do que um patrocínio de empresa, entendeu? É uma escolha de compliance minha”.

Zé Vitor afirmou: “Não viajo a passeio nem para participar do ‘Gilmarpalooza’. Quando eu piso fora do Brasil em nome da Câmara, é para trabalhar e poder representar o setor produtivo”.

Lucio Mosquini informou, em nota: “O deputado, no ano de 2023/2024, foi membro da Mesa Diretora, e as viagens foram todas a serviço da Câmara dos Deputados. No ano de 2025, não houve viagem”.

Bia Kicis declarou: “Fui convidada a participar de várias missões oficiais e fóruns internacionais pelo reconhecimento do meu trabalho na defesa da liberdade e contra violações de direitos”.

O deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) foi procurado, mas não quis se manifestar.

(Folha de S. Paulo)

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

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