

O Carnaval movimenta multidões, longas horas de festa e altas temperaturas, combinação que acende um alerta importante para a saúde: o aumento dos casos de intoxicação alimentar. Em meio à maratona de blocos, trios elétricos e festas de rua, muitos foliões recorrem a refeições improvisadas, alimentos de procedência duvidosa e bebidas mal armazenadas, o que pode transformar a alegria da folia em mal-estar e atendimento de emergência.
Em eventos de grande porte, como o Carnaval de Salvador, que em 2025 registrou mais de 11 milhões de acessos aos circuitos, a atenção com a alimentação torna-se ainda mais necessária. O calor intenso favorece a proliferação de bactérias, vírus e toxinas, especialmente quando os alimentos ficam expostos por longos períodos sem refrigeração adequada.
Principais causas
Segundo o gastroenterologista Luiz Almeida, coordenador do serviço de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), as altas temperaturas são um dos principais fatores de risco para a contaminação alimentar. “O calor facilita a multiplicação de microrganismos quando os alimentos não são armazenados corretamente ou permanecem muito tempo fora da refrigeração. Isso é comum em festas de rua, onde o controle sanitário é mais difícil”, explica.
Carnes mal cozidas, maioneses caseiras, frutos do mar, laticínios, gelo contaminado e água de procedência duvidosa estão entre as causas mais frequentes de intoxicação alimentar. De acordo com o especialista, muitas ocorrências não estão relacionadas ao alimento em si, mas à forma como ele é manipulado, conservado ou reaproveitado ao longo do dia.
Sintomas, diagnóstico e tratamento
Os sintomas costumam surgir poucas horas após a ingestão do alimento contaminado e incluem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, febre e mal-estar geral. Em quadros mais graves, o paciente pode apresentar sinais de desidratação, tontura e queda da pressão arterial. “Quando os sintomas persistem por mais de 24 horas, há febre alta, sangue nas fezes ou sinais claros de desidratação, é fundamental procurar atendimento médico”, orienta Luiz Almeida. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais vulnerável às complicações.
O diagnóstico da intoxicação alimentar é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico recente de alimentação. Em situações específicas, exames laboratoriais podem ser solicitados para identificar o agente causador.
O tratamento, na maioria dos casos, consiste em hidratação adequada, repouso e dieta leve, com acompanhamento médico quando necessário. O gastroenterologista alerta que a automedicação pode agravar o quadro, especialmente com o uso inadequado de antibióticos ou antidiarreicos.
Prevenção é a melhor opção
A prevenção, segundo os especialistas, continua sendo a melhor forma de evitar problemas durante a folia. Priorizar alimentos preparados na hora e bem cozidos, evitar comidas expostas ao sol ou sem refrigeração, observar a higiene do local e dos manipuladores, consumir apenas água mineral lacrada ou filtrada e manter as mãos limpas são medidas simples que reduzem significativamente o risco de intoxicação alimentar.
“Na dúvida, é melhor não consumir. Uma escolha errada pode interromper a festa e gerar complicações que duram dias”, reforça o gastro Luiz Almeida. Ele lembra que os mesmos cuidados devem ser adotados em outros grandes eventos populares ao longo do ano, como micaretas e festas de rua. “Comer com atenção é uma forma de garantir que a festa termine bem”, conclui o especialista do Hospital Mater Dei Emec.
Gastroenterologista Luiz Almeida, coordenador do serviço de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do Hospital Mater Dei Emec (HMDE)