quinta, 05 de fevereiro de 2026
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OTTO CONFIRMA TENTATIVA DE MUDAR COMANDO DO PSD NA BAHIA APÓS FILIAÇÃO DE CAIADO

Bruna Carvalho - 05/02/2026 09:52 - Atualizado 05/02/2026

O senador Otto Alencar confirmou que houve uma tentativa de alterar a diretriz política e o comando do PSD na Bahia após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Baiana FM.

Segundo Otto, a movimentação teria como objetivo mudar a linha de apoio do PSD baiano ao presidente Lula (PT) e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). “O ministro de Minas e Energia [Alexandre Silveira] me falou que tinha realmente essa arquitetura política para fazer a mudança de comando aqui na Bahia do que eu indiquei, que foi a reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues”, afirmou.

O senador argumentou que a posição do partido foi definida pela maioria dos seus quadros e não poderia ser alterada por interesses externos. “Dos 9 deputados estaduais, sete querem isso. Eu consultei todos eles, assim como os deputados federais que também querem continuar da aliança, assim como a maioria dos prefeitos que eu falei”, disse.

Otto também rechaçou a possibilidade de mudança no comando da legenda. “O PSD é o partido mais organizado da Bahia. O partido está em quase todos os municípios do estado e eu sou presidente do diretório, mesmo que o Kassab quisesse me tirar não poderia, porque eu tenho mandato.”

Ele afirmou ter estranhado a filiação de Caiado e avaliou que houve tentativa de desgaste interno. “Tentaram desgastar o partido. O governador de Goiás é um ativo grande, foi para o PSD, eu não entendi porque foi. Ele é a principal figura do União Brasil e sempre foi pré-candidato a presidente da República e tem uma relação de proximidade com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto”, analisou.

Durante a entrevista, Otto descartou a tese de neutralidade do PSD na Bahia e rejeitou a possibilidade de não disputar o governo estadual. “Essa chapa de neutralidade, de não ter candidato a governador, seria o fim do partido. Nenhum deputado ficaria. Todo mundo sairia. Isso é uma bobagem, isso não dá. Eu não podia aceitar isso.” E completou: “Ninguém vai para uma candidatura proporcional sem expectativa de fazer o governador. Não existe isso.”

O senador também assumiu a responsabilidade pela saída de Angelo Coronel do partido. “Me assumo como culpado. Eu acompanhei o que a maioria queria. Uma minoria não queria a continuação da aliança”, afirmou. Segundo ele, o debate já vinha sendo travado internamente. “Não foi tão surpreendente. Já vinha sendo discutido há muito tempo.”

Ao reafirmar sua posição política, Otto reiterou o apoio a Lula. “Eu não construí em momento nenhum, um caminho que me desse conforto de estar no palanque do candidato da oposição.”

Por fim, garantiu que não haverá retaliações ao ex-colega de partido. “Ele tem um mérito que ninguém pode desconhecer. Muitas coisas aconteceram por mérito dele.”

Foto: Divulgação

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