

Ilhéus, no litoral sul da Bahia, não receberá escalas da MSC Cruzeiros na temporada 2026/2027 da América do Sul, que começou em novembro de 2026 e segue até abril de 2027. Nenhum dos seis navios programados pela armadora, quatro deles com embarque no Brasil, fará parada no Porto do Malhado.
A decisão foi comunicada após um protesto de taxistas, motoristas de aplicativo e condutores de vans em frente ao porto, contra o uso de ônibus fretados por empresas privadas contratadas por passageiros dos cruzeiros. Durante a mobilização, o grupo bloqueou o acesso de veículos responsáveis pelo traslado de turistas, gerando atrasos no desembarque.
A Companhia das Docas do Estado da Bahia informou que o protesto foi encerrado no mesmo dia e que as operações não chegaram a ser interrompidas. A autoridade portuária também anunciou que convocaria uma reunião para discutir o ordenamento do transporte de passageiros de cruzeiros.
Em nota, a MSC afirmou que a exclusão de Ilhéus não está diretamente ligada ao episódio e apontou fatores operacionais e estratégicos.
“Não estão previstas escalas em Ilhéus na temporada 2026/2027 da América do Sul, devido a desafios significativos relacionados aos altos custos operacionais e de infraestrutura, além de adequação dos itinerários. Permanecemos em diálogo com o município, com as autoridades e com a CLIA.”
Apurações indicam que Ilhéus já não constava nos itinerários divulgados meses antes da manifestação. A companhia também citou a reestruturação das rotas e a redução da oferta de cruzeiros no Nordeste como parte do contexto da decisão.
Para a temporada, a MSC concentrará escalas em portos considerados mais previsíveis operacionalmente, como Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá. Apenas o MSC Virtuosa fará roteiros regulares no Nordeste, com viagens de sete noites saindo de Santos e paradas em Salvador, Maceió e Búzios.
O MSC Armonia deixará de operar no Brasil. O navio, que incluía Ilhéus no roteiro “Super Nordeste”, será substituído pelo MSC Lirica no Rio de Janeiro, com itinerários concentrados no Sul e Sudeste.
O episódio no Porto do Malhado, contudo, entrou no radar do setor de cruzeiros, já que conflitos durante desembarques são considerados riscos operacionais em uma indústria marcada por planejamento rigoroso.
A retirada da MSC tende a impactar o turismo local, já que as escalas de cruzeiros concentram fluxo intenso de visitantes em poucas horas, movimentando comércio, bares, restaurantes, guias, transporte e serviços receptivos.
Após a confirmação, a Prefeitura de Ilhéus e a Secretaria Municipal de Turismo informaram que intensificaram o diálogo com armadoras, incluindo a MSC e a Costa Cruzeiros, em busca de alternativas. Até o momento, não há mudança confirmada para a temporada.
Foto: Reprodução/MSC Cruzeiros