

Cuba e Estados Unidos mantêm canais de comunicação abertos, mas as trocas ainda não evoluíram para um diálogo formal entre os dois países. A informação foi confirmada nesta segunda-feira por Carlos Fernández de Cossío, vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, em entrevista à agência Reuters.
Segundo o diplomata, o governo norte-americano está ciente de que Havana está “pronta para um diálogo sério, significativo e responsável”, embora ainda não exista uma mesa formal de negociações. “Tivemos troca de mensagens, temos embaixadas, tivemos comunicações, mas não podemos dizer que tivemos uma mesa de diálogo”, afirmou Cossío, durante entrevista concedida na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Havana.
A declaração ocorre em meio a movimentações diplomáticas dos Estados Unidos no cenário internacional. Recentemente, o presidente norte-americano afirmou que a Índia deverá reduzir tarifas e barreiras a produtos dos EUA. Segundo ele, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, também teria se comprometido a interromper a compra de petróleo russo, ampliando as importações de energia norte-americana.
As declarações de Cossío nesta segunda-feira representam a primeira indicação de Cuba de que os dois lados estão em conversações, mesmo que de forma limitada, após as tensões que surgiram em janeiro entre os dois países, após a captura pelos EUA do líder venezuelano Nicolás Maduro, há muito um aliado próximo de Cuba.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo que os Estados Unidos haviam iniciado conversas com “as pessoas mais importantes de Cuba”, dias depois de declarar Cuba “uma ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA e ameaçar com tarifas sobre as exportações para os EUA de qualquer nação que enviasse petróleo para a ilha comunista. “Acho que vamos fazer um acordo com Cuba”, disse Trump a repórteres em sua propriedade Mar-a-Lago, na Flórida, no domingo.
REUTERS/Alexandre Meneghini