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DIA MUNDIAL DO CÂNCER (04.02): CUIDADO INDIVIDUALIZADO AUMENTA EFICÁCIA DOS TRATAMENTOS E QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES ONCOLÓGICOS

João Paulo - 02/02/2026 15:00 - Atualizado 02/02/2026

No próximo dia 4 de fevereiro, o mundo celebra o Dia Mundial do Câncer 2026, com o tema “Unidos pela Singularidade”, que coloca as pessoas no centro do cuidado oncológico, destaca a importância da atenção integral e humanizada e do tratamento individualizado no combate câncer.  A data, criada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), tem como objetivo promover uma mobilização global para conscientizar a população e envolver os governos em direção a ações de controle da doença. “É uma data especial para lembrar que não é sobre olhar apenas para a doença, mas para o indivíduo, seus familiares e a sociedade como um todo”, afirma a oncologista Clarissa Mathias, da Oncoclínicas Bahia e Líder do Cancer Center HSI Oncoclínicas. A médica lembra também que é preciso reforçar continuamente a importância dos hábitos saudáveis, do autocuidado e da necessidade dos exames de rotina na luta contra o câncer, além da necessidade da implementação de políticas públicas para os pacientes oncológicos.

Segundo estimativa da OMS, o número global de novos diagnósticos de câncer por ano alcançar mais de 35 milhões até 2050. No Brasil, de acordo com o INCA, os tumores malignos mais incidentes (sem considerar os de pele não melanoma), são de mama feminina, próstata, colorretal, pulmão e estômago. O câncer de pulmão é o mais letal no país.

De causas multifatoriais, câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças causadas pelo crescimento desordenado e descontrolado de células, que ganham características agressivas e invadem tecidos e órgãos do corpo humano, formando tumores. “O diagnóstico precoce de um câncer pode representar mais de 90% de possibilidade de cura”, afirma o oncologista Eduardo Moraes, da Oncoclínicas.  “Os exames de rastreamento são fundamentais para o diagnóstico de tumores em fases iniciais, antes até que o indivíduo apresente qualquer sintoma da doença”, acrescenta o especialista.

“Os tratamentos oncológicos evoluíram muto nas últimas décadas e, atualmente, o diagnóstico de um câncer não é mais percebido como uma sentença de morte. Com um arsenal de terapias inovadoras, a doença caminha para uma cronificação e muitos pacientes, inclusive portadores de metástases, convivem com ela com qualidade de vida durante anos”, afirma Clarissa Mathias. “O diagnóstico precoce, no entanto, faz toda diferença para um bom prognóstico”, reforça a especialista.

A maior parte dos casos de câncer – em torno de 90% – é associada a fatores ambientais ou fatores externos, que envolvem meio ambiente (água, terra e ar), ambiente ocupacional e ambiente sociocultural e de consumo, que são o estilo de vida e os hábitos. Os outros fatores são considerados internos, como fatores hereditários, hormônios, mutações genéticas e imunidade. “O tabagismo, o sedentarismo, os alimentos ultraprocessados, o consumo excessivo de álcool, sexo sem proteção e exposição ao sol sem protetor solar são fatores ambientais evitáveis”, destaca Eduardo Moraes.

Apenas de 5 a 10% dos casos de câncer são associados a causas hereditárias, quando fatores genéticos (mutações) aumentam a predisposição do individuo ao desenvolvimento da doença. “Isso só reforça a importância da adoção de um estilo de vida saudável. E nos casos de indivíduos com histórico familiar de câncer, é preciso também um acompanhamento médico mais especifico”, esclarece Eduardo Moraes.

Medicina de precisão: tratamento individualizado é o futuro da oncologia

Os avanços da genômica, área da ciência que estuda o genoma por inteiro (todo o material genético do DNA), têm revolucionado os tratamentos oncológicos através da analise da biologia molecular dos tumores, permitindo detectar mutações especificas, realizar diagnósticos mais assertivos e planos de tratamento individualizados e mais eficazes.

Os tratamentos oncológicos contam, atualmente, com um arsenal de terapias avançadas, que pode incluir cirurgia, tratamento sistêmico (quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia), radioterapia e técnicas combinadas a depender de cada caso. “As cirurgias para retirada de tumores têm tido avanços consideráveis com a robótica e as técnicas minimamente invasivas, que permitem menos tempo de internação e recuperação mais rápida dos pacientes”, afirma Eduardo  Moraes.

“O tratamento não é mais apenas um protocolo ou abordagem padronizada. Conhecer o perfil genético do tumor ajuda a escolher o melhor tratamento para cada caso, identificar o risco de recorrência e aplicar a droga certa no momento mais adequado, reduzindo efeitos colaterais, muitas vezes, pelo uso de drogas que não vão ajudar no caso especifico daquele paciente e ainda vão acarretar um custo bem maior ao tratamento”, enfatiza Clarissa Mathias.

“A medicina de precisão permite a individualização do tratamento, ampliando sua eficácia, e aumentando a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes”, conclui Eduardo Moraes.

Crédito da foto: Freepik

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