

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta terça-feira (27) o novo Manual de Competições, que passa a valer para todas as competições organizadas pela entidade a partir da temporada 2026. O documento substitui o antigo Regulamento Geral de Competições (RGC) e traz mudanças que podem impactar diretamente clássicos considerados de alto risco, como o Ba-Vi, disputado com torcida única há oito anos.
Elaborado com base em diretrizes da FIFA, da Conmebol e em sugestões de clubes e federações estaduais, o novo manual tem como objetivo modernizar e padronizar as normas do futebol brasileiro. Segundo o presidente da CBF, Samir Xaud, a reformulação busca tornar os regulamentos mais claros e eficientes.
“Trata-se de um movimento de simplificação, padronização e modernização dos nossos instrumentos normativos. O documento pretende causar um impacto imediato para todos os operadores do desporto no país”, afirmou.
Entre os principais pontos do manual está a possibilidade de remanejamento de partidas quando houver determinação judicial ou manifestação de órgãos de segurança pública para a realização de jogos com torcida única. A medida atinge diretamente clássicos como Bahia x Vitória, que historicamente demandam atenção especial das autoridades.
De acordo com o texto oficial, nesses casos a Diretoria de Competições (DCO) da CBF poderá, a seu critério, transferir a partida para outro local, inclusive fora da jurisdição da federação estadual do clube mandante, ou determinar a realização do jogo com portões fechados, desde que seja garantido o equilíbrio técnico-esportivo da competição.
O manual também prevê a adoção das mesmas medidas mesmo quando houver acordo entre os clubes para a realização do confronto com torcida única. Na prática, a nova diretriz abre caminho para que partidas como o Ba-Vi possam ser disputadas fora da Bahia ou sem a presença de público em competições nacionais, caso as autoridades entendam que não há condições adequadas de segurança.
A mudança reacende o debate sobre segurança, logística e o impacto esportivo e financeiro da ausência de torcida em clássicos, especialmente em confrontos de grande apelo popular como o duelo entre Bahia e Vitória.
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