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MAIS DROGAS E ARMAS NA BAHIA: APREENSÕES CRESCEM E BATEM RECORDE EM 2025

João Paulo - 29/01/2026 07:20

O reforço na fiscalização em portos e aeroportos do Rio de Janeiro e de São Paulo provocou uma reconfiguração nas rotas do tráfico de drogas no Brasil. Com o aumento do controle nos principais pontos de saída do país, organizações criminosas passaram a buscar novos caminhos, e a Bahia surgiu como uma alternativa estratégica, segundo o sociólogo e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Luiz Cláudio Lourenço.

O impacto dessa mudança é visível nos dados oficiais. Em 2025, cerca de 10 toneladas de entorpecentes foram apreendidas em território baiano — um aumento de 60% em relação a 2024 e o maior volume registrado desde 2021.

De acordo com Lourenço, que atua no Laboratório de Estudos em Crime e Sociedade (LASSOS-Ufba), o crescimento das apreensões sugere que o estado passou a integrar de forma mais intensa as rotas do tráfico internacional. “O mesmo já ocorreu em outras capitais do Nordeste que possuem portos e aeroportos com conexões para países consumidores de drogas ilícitas”, afirma o pesquisador.

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontam que a Bahia registrou, em média, 23 ocorrências de tráfico de drogas por dia em 2025. O destaque fica para o mês de dezembro, quando mais de 6,5 toneladas de drogas foram apreendidas — o equivalente a aproximadamente 64,8% de todo o volume retido no ano. Uma parte considerável desse valor veio de uma intervenção realizada em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, no dia 7 de dezembro. Na ocasião, foram apreendidos pela Polícia Militar cerca de 958 kg de maconha, a partir de uma denúncia de que um imóvel estaria sendo utilizado como local de armazenamento de drogas na região.

Segundo Lourenço, o aumento de apreensões pode ser tanto um reflexo de um trabalho mais eficiente das forças policiais quanto de maior circulação do produto na Bahia. Para uma avaliação mais precisa, ele ressalta a necessidade de um detalhamento maior sobre as circunstâncias das ocorrências, como os locais e as formas das apreensões, a fim de compreender o real significado desses números. As apreensões são feitas pelas polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal.

“Um exemplo, se a apreensão ocorreu em estradas, portos, aeroportos, estamos falando do possível aumento da circulação de drogas (da Bahia como rota de passagem). Se, por outro lado, essas apreensões ocorreram em locais de venda de drogas nas cidades baianas, estamos possivelmente diante do aumento do tráfico de drogas no varejo”, explica o especialista.

Apreensão de armas

O sociólogo afirma ainda que a mesma lógica é válida para as armas de fogo, cujas apreensões também cresceram entre 2024 e 2025. No ano passado, foram apreendidas 7.631 armas, o equivalente a 21 por dia – 21% a mais que em 2024 e o maior número da série histórica do Sinesp, que teve início em 2015. Os principais tipos foram revólveres (2.220), espingardas (1.901) e pistolas (1.659).

“Se as ações policiais se mantiveram iguais, provavelmente mais armas têm circulado pela Bahia. Contudo, este aumento também pode ser explicado se mais esforços de investigações e operações policiais foram feitos com este objetivo”, afirma Luiz Cláudio Lourenço.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o aumento das apreensões de armas e drogas foi garantido por medidas como o investimento de R$1,2 bilhão nas Polícias Militar, Civil e Técnica, além do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, nos últimos três anos.

 

Crédito: Divulgação/Polícia Militar da Bahia

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