quinta, 29 de janeiro de 2026
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ARMANDO AVENA – O CARNAVAL VAI BOMBAR, MAS TEM DE SAIR DA BARRA

Redação - 29/01/2026 06:57 - Atualizado 29/01/2026

Imagine o leitor se o desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro acontecesse em Copacabana. E o mais famoso ponto turístico da cidade maravilhosa fosse interditado por uma semana ou mais, para a colocação de arquibancadas, a construção de camarotes, a mobilização de ambulantes, etc.

É inimaginável, mas é isso que acontece na Barra, o mais famoso ponto turístico de Salvador, que fica interditado no seu ir e vir por 15 dias por sediar o carnaval.

Nada contra o carnaval, pelo contrário, a festa tem um impacto significativo na economia soteropolitana, gerando emprego, renda e oportunidades de negócios.

Em 2025, o carnaval de Salvador registrou uma movimentação financeira de cerca de R$ 1,8 bilhão e a cidade recebeu cerca de 850 mil turistas, segundo dados da Prefeitura. E a taxa média de ocupação hoteleira foi de 94 %, com picos de 100 % próximos aos circuitos oficiais da festa.

Em 2026, o carnaval vai bombar e a estimativa é que mais de 1,2 milhão de turistas visitem a cidade entre os dias da folia, gerando uma movimentação financeira de cerca de R$ 2,6 bilhões. O impacto no mercado de trabalho é da ordem de 150 mil postos, incluindo vagas temporárias, trabalho informal e todas as atividades ligadas à folia.

Nada contra o carnaval que, além de alegria, traz para o povo soteropolitano emprego, renda e oportunidades de negócios. Mas tudo contra a manutenção do carnaval na Barra, responsável, em última estância, pela desvalorização e pela marginalização do bairro.

O carnaval desvaloriza a Barra porque os proprietários deixam os imóveis se degradando, mas no fim do ano ganham muito alugando-os para os camarotes. Desvaloriza o bairro porque hotéis e pousadas e o setor imobiliário não podem investir num local que durante quinze dias é interditado, sem que possa sair ou entrar, abrigando mais de 2 milhões de pessoas.

É por isso que enquanto a Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, é tomada por apartamentos milionários e hotéis cinco estrelas, a Avenida Oceânica é o palco de casas abandonadas, restaurantes e pousadas de quinta categoria, agencias bancárias e estacionamentos. E tudo piora à medida que se chega ao Porto da Barra, quando a barra começa a ficar pesada e as sub habitações se misturam ao tráfico de drogas.

A Barra é e sempre será um bairro com características residenciais e turísticas, nunca teve tradição carnavalesca, e é um absurdo ocupar esse bairro, que tem hospitais, clínicas, escolas  e que abriga milhares de pessoas e de idosos  com um mega carnaval de trios elétricos que requer a montagem de uma estrutura gigantesca. O Ministério Público deveria estar atento aos transtorno que a festa causa a doentes, idosos e residentes, pois é um caso típico de projeto que prejudica a população e os investimentos o ano todo, para beneficiar apenas um pequeno grupo de empresários que se mantém resistente à transferência.

A Prefeitura de Salvador tem consciência da necessidade de transferir a festa para outro local, e já se dispôs a fazê-lo várias vezes, mas precisa tomar a decisão imediatamente após a festa – e esta é a razão deste artigo –, pois que senão, ao longo do ano, o interesse de grupos localizados se amplificam e abortam a mudança.

Transferir o carnaval de Salvador para outra área não trará qualquer prejuízo para a cidade, pelo contrário, vai gerar uma onda de investimentos na região. E não afetará a economia da folia, já que os milhares de turistas que vem à Salvador para curtir  o carnaval continuarão vindo, não importa onde ele seja realizado. Os hotéis continuarão cheios em toda a parte, os blocos seguirão desfilando e os mesmos os donos de camarotes continuarão colocando suas mega estruturas em outro lugar.

O carnaval vai bombar em 2026,  e continuará bombando no palco da festa que é a Avenida e quando o carnaval da Barra for transferido para um local adequado, que não afete a população e os serviços essenciais.

DATA CENTER E A BAHIA

Fortaleza é um dos principais polos de data centers do Nordeste, com vários projetos em operação e a perspectiva de um projeto bilionário para atende ao Tik Tok. O setor é sinônimo de futuro e o setor privado começa a investir também na Bahia.  A Renova Energia está implantando no município de Igaporã o seu primeiro data center que, já teve autorização para conectar-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O projeto de quase R$ 1 bilhão prevê a implantação de outros, integrados à infraestrutura do complexo eólico local, usando energia 100 % renovável (eólica e solar). Prevê também a formação profissional na chamada Cidade Data Center, na região de Igaporã e Caetité.

 

Publicado no jornal A Tarde em 29/01/2026

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