

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, Olavo Noleto, para assumir o Ministério das Relações Institucionais no lugar de Gleisi Hoffmann (PT), que deixará o governo para disputar uma vaga no Senado. A mudança faz parte de um redesenho mais amplo da Esplanada, impulsionado pelo calendário eleitoral de 2026. Noleto, que atualmente comanda o chamado Conselhão, deve assumir a articulação política do governo até março. Ex-número dois da pasta durante a gestão de Alexandre Padilha (PT), ele chegou a ocupar interinamente o comando do ministério em outros momentos e é visto no Planalto como um nome de perfil político, com experiência no diálogo com o Congresso.
No início do governo, Noleto chegou a ser cotado como possível candidato a deputado federal pelo PT de Goiás, hipótese que perde força com sua ida para o ministério. Segundo aliados de Lula, sua trajetória e capacidade de articulação foram fatores decisivos para a escolha como sucessor de Gleisi. O futuro ministro acumula passagens por diversos cargos no governo federal. Foi secretário de Assuntos Federativos da Presidência da República entre 2009 e 2015, nos governos Lula e Dilma Rousseff, e secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social do Planalto entre 2015 e 2016. Também atuou em administrações municipais, como nas prefeituras de Maricá (RJ), Aparecida de Goiânia (GO) e Goiânia (GO), além de ter integrado conselhos de estatais, como a Transpetro e a EBC.
O atual secretário-executivo das Relações Institucionais, Marcelo Costa, chegou a ser considerado para assumir o comando da pasta. Apesar da confiança que tem da cúpula do governo, sua atuação é avaliada como mais técnica, o que pesou contra sua escolha neste momento de maior exigência política. Gleisi Hoffmann deixará o ministério para concorrer ao Senado pelo Paraná. Inicialmente, havia expectativa de que ela disputasse uma vaga na Câmara dos Deputados, mas Lula a incentivou a tentar retornar ao Senado, onde já exerceu mandato.
Além das Relações Institucionais, outras mudanças estão no radar do Planalto. Os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda) também devem deixar seus cargos até abril para disputar as eleições. A estratégia de Lula é substituir os ministros por secretários das próprias pastas, garantindo continuidade administrativa. Na Casa Civil, a favorita para assumir o comando é a secretária-executiva Miriam Belchior, nome histórico do PT e ex-ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff. Já na Fazenda, o mais cotado para suceder Haddad é Dario Durigan, atual secretário-executivo, apontado internamente como o principal gestor do ministério e figura de confiança tanto de Haddad quanto do presidente. As trocas devem ocorrer de forma escalonada nos próximos meses e marcam uma nova fase do governo, com foco na estabilidade política e na organização da base aliada às vésperas do ano eleitoral.
Ricardo Stuckert/Divulgação