

O presidente Lula (PT) defendeu nesta quarta-feira (28) que países latino-americanos e caribenhos se integrem na defesa de sua soberania e criticou o uso da força nas relações internacionais. As declarações ocorreram durante um discurso realizado no Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá.
“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver os problemas”, disse. “Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis.”
O presidente tem manifestado preocupação com o esvaziamento de espaços de discussão e deliberação entre países da região. Diversos países da região elegeram governos à direita e que dão menos ênfase às relações com os vizinhos -o principal exemplo é a Argentina de Javier Milei.
No Panamá, Lula citou como exemplo da falta de integração a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. “A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam nossa região”, disse.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos, constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos.”
Lula também mencionou “corolários e doutrinas”, em referência à Doutrina Monroe e ao Corolário Roosevelt, ideias propostas pelos ex-presidentes americanos James Monroe e Theodore Roosevelt que foram determinantes para os americanos imporem suas vontades sobre o resto do continente. Atualmente, Donald Trump coloca em prática o que muitos veem como uma nova versão dessa política imperialista.



