

Segundo boletim recente do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) de 25 pontos aptos para banho, apenas dois têm condições de uso recreativo. O problema também se estende para as demais regiões da costa baiana que, ao total, possuem mais de 110 praias sem adequação para banho justo no ápice do verão.
No Litoral Norte, Baixio e Costa Azul são os únicos dois pontos que se salvam. Praias que são destinos turísticos, como Guarajuba, Vilas do Atlântico, Busca Vida, Itacimirim, Praia do Forte e Jauá, estão classificadas como impróprias. Na Costa do Descobrimento, o mesmo acontece em Arraial d’Ajuda e na Coroa Vermelha, assim como em outros seis pontos. Já na Costa do Cacau, dez praias não são indicadas para banho, dentre elas Itacaré e Barra de São Miguel.
Na Baía de Todos os Santos, somente Cacha-Prego e Itaparica têm condições de balneabilidade de um total de 27 praias. Seguindo para o sul do estado, a situação dá indícios de melhora. Na Costa do Dendê, somente três das oito praias estão classificadas como impróprias, sendo que duas delas estão localizadas em Morro de São Paulo e outra na Gamboa. Na Costa das Baleias, no entanto, o cenário volta a ficar desfavorável para os banhistas, com apenas uma das oito praias com possibilidade de uso recreativo.
Em entrevista ao Jornal Correio, Diego Marinho, engenheiro ambiental e sanitarista explicou que as praias essencialmente turísticas que estão impróprias para banho evidenciam o sintoma de saneamento insuficiente e ocupação desordenada. “Os principais motivos para isso são esgoto sem tratamento adequado, drenagem urbana deficiente, explosão imobiliária, turismo sem suporte, lançamento de efluentes em rios que deságuam nas praias, além de gestão de resíduos com falhas e muitas pessoas ao mesmo tempo no local na alta estação”, aponta.
Ele frisa que uma praia só deixa de ser indicada para banho por poluição, falha de infraestrutura ou por falta de gestão competente. “Isso pode ser evitado com investimento em coleta e tratamento de esgoto, melhoria na gestão de resíduos, controle ambiental através de fiscalização e aplicação de multas em empreendimentos e pessoas que causarem poluição; além disso, é necessária uma governança competente com um olhar no saneamento, sustentabilidade e saúde humana”, acrescenta Diego.
Em Salvador, os 37 pontos que estão impróprios para banho apresentaram, na mais recente análise do Inema realizada nas últimas cinco semanas, o reflexo do aumento significativo do uso recreacional das praias em função do prolongamento dos feriados de Natal e Ano Novo. Além desse motivo, a população soteropolitana tem reclamado, há anos, do tratamento inadequado do esgoto, sistema de drenagem deficitário e de rios poluídos que deságuam no mar da capital baiana. Entre as praias afetadas por esses problemas, estão a de Roma, Stella Maris, Itapuã, Costa Azul, Boca do Rio, Rio Vermelho, Paciência, Ondina e Porto da Barra. No entanto, há queixas do mesmo transtorno em cidades como Camaçari e Lauro de Freitas.(Correio)
Imagem de Dimitris Vetsikas por Pixabay