

Criada em 2014, a campanha Janeiro Branco busca conscientizar sobre a importância do cuidado com a saúde mental e emocional, especialmente no início do ano — período em que muitas pessoas repensam seus objetivos e planejam mudanças de vida. Embora transtornos como ansiedade e depressão sejam geralmente atribuídos a fatores externos, como traumas ou estilo de vida, especialistas alertam que alterações hormonais também podem estar na origem desses problemas.
Diversos estudos mostram a relação entre essas substâncias naturais produzidas pelo corpo e o equilíbrio emocional em diferentes fases da vida. Um deles, publicado na Revista Psicologia, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que níveis alterados de cortisol, conhecido como o “hormônio do estresse”, estão associados a quadros de ansiedade, depressão e dificuldades de socialização entre adolescentes.
Outro estudo, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, destaca a transição menopáusica como uma janela de maior vulnerabilidade para sintomas depressivos. A pesquisa mostra que cerca de 80% das mulheres passam a apresentar sinais de transtornos mentais nesse período, marcado por oscilações em compostos como estrogênio e progesterona.
Papel no organismo
“O equilíbrio do organismo depende da atuação de substâncias químicas que funcionam como reguladoras de processos essenciais. Dentre elas, a qualidade do sono, o controle do estresse e das emoções, além de ajudar no fornecimento de energia. Quando esse funcionamento é comprometido, surgem impactos no corpo e na saúde emocional, evidenciando a necessidade de cuidado e atenção aos sinais do próprio corpo”, alerta a cogestora regional do Sabin Diagnóstico e Saúde, a farmacêutica Agnaluce Moreira.
O cortisol, citado na pesquisa da USP, está ligado diretamente à forma como o corpo reage ao estresse. Quando seus níveis permanecem elevados por longos períodos, pode haver impactos como ansiedade, irritabilidade e distúrbios do sono. Já o estrogênio influencia neurotransmissores relacionados ao humor e ao bem-estar, como a serotonina, e suas variações podem afetar a estabilidade emocional.
A progesterona tem efeito calmante, auxiliando no sono e no controle da ansiedade. A testosterona, por sua vez, está associada à disposição, motivação e energia. Mudanças nos níveis dessas substâncias, naturais em diferentes fases da vida, podem refletir diretamente na saúde mental.
Também entram nessa avaliação os compostos produzidos pela tireoide, como TSH, T3 e T4. Quando desregulados, eles afetam o metabolismo e podem provocar sintomas similares aos dos transtornos mentais, como apatia, irritabilidade, ansiedade e depressão.
Avaliação médica
Para identificar se há relação entre os sintomas emocionais e os níveis hormonais, o primeiro passo é procurar um endocrinologista, que fará uma avaliação minuciosa, indicando quais exames são necessários e o tratamento adequado para cada pessoa, a depender do quadro clínico.
Os exames são feitos, em geral, com amostras de sangue, mas, em alguns casos, também se utilizam saliva ou urina. O tipo de amostra varia conforme a substância a ser avaliada. No caso do cortisol, por exemplo, a forma mais comum é a coleta de sangue, mas pode haver recomendação para saliva ou urina, dependendo da situação.
Para a análise de estrogênio e progesterona, também se usa a coleta sanguínea, com a necessidade de informar ao laboratório se a paciente faz uso de anticoncepcionais, está em terapia de reposição ou apresenta ciclos menstruais irregulares. Para uma melhor eficiência, é indicado que a paciente informe ao m…
Foto: Acervo Sabin