

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A medida seria, segundo a apuração, uma tentativa de pressionar o presidente da França, Emmanuel Macron, a aderir à iniciativa americana batizada de “Conselho de Paz”, proposta para mediar conflitos internacionais.
A iniciativa de Trump teria início com negociações voltadas à guerra em Gaza e, posteriormente, seria ampliada para tratar de outros conflitos globais. A proposta, no entanto, levanta questionamentos sobre o papel das Nações Unidas nesse processo. Uma fonte próxima a Macron afirmou que o presidente francês pretende recusar o convite para participar do conselho.
Questionado sobre a posição de Macron, Trump reagiu com críticas diretas. “Ele disse isso? Bem, ninguém o quer porque ele sairá do cargo muito em breve”, declarou.
Em tom provocativo, o presidente norte-americano voltou a ameaçar retaliação econômica. “Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e ele vai aderir, mas não precisa aderir”, afirmou Trump.
Ofensiva mais ampla contra UE
Macron deve passar o dia em Davos nesta terça-feira. Os assessores do Eliseu disseram que não há planos de estender sua estadia até quarta-feira, quando Trump chegará à cidade turística montanhosa suíça. Em outra investida contra o líder francês, Trump publicou uma mensagem privada de Macron na qual ele dizia não entender as ações de Trump em relação à Groenlândia. A França realizará uma eleição para substituir Macron em 2027.
Os vinhos e bebidas alcoólicas exportados da União Europeia para os EUA atualmente estão sujeitos a uma tarifa de 15% – uma taxa que os franceses têm feito pressão para reduzir a zero desde que Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fecharam um acordo comercial entre os EUA e a UE na Escócia no verão passado. Os EUA são o maior mercado para vinhos e destilados franceses, com remessas para os EUA de 3,8 bilhões de euros em 2024.
Gabriel Picard, presidente da associação de exportação de vinhos e destilados da França, FEVS, disse à Reuters na segunda-feira, antes da nova ameaça, que o setor havia visto um impacto de 20% a 25% na atividade dos EUA no segundo semestre do ano passado devido a medidas comerciais anteriores.
(Infomoney)
REUTERS/Al Drago



