sexta, 16 de janeiro de 2026
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MORADORES TEMEM ATRASO DE SALÁRIOS EM NORDESTINA ENQUANTO PREFEITURA MANTÉM GASTOS ELEVADOS COM FESTAS

Redação - 16/01/2026 10:20 - Atualizado 16/01/2026

A possibilidade de atraso no pagamento dos salários dos servidores públicos de Nordestina, na região sisaleira da Bahia, tem gerado apreensão entre moradores e trabalhadores do município. A preocupação surgiu após a divulgação, em sites da região, de que a Prefeitura poderia enfrentar dificuldades para honrar salários e contas básicas, como água e energia elétrica, em razão da aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

Em nota e declarações recentes, a Prefeitura de Nordestina afirmou que o orçamento aprovado pela Câmara de Vereadores, com limite zero para suplementação, estaria “engessando” a administração e dificultando a execução de despesas essenciais. Segundo a gestão, essa situação poderia comprometer compromissos básicos do município.

Apesar do alerta feito pela própria Prefeitura, atos administrativos publicados oficialmente chamaram atenção da população. No dia 14 de janeiro de 2026, a gestão municipal autorizou a contratação, por inexigibilidade de licitação, de um show artístico no valor de R$ 500 mil, meio milhão de reais, para apresentação do cantor Tarcísio do Acordeon no Arraiá do Cajueiro 2026.

O contraste entre o discurso de dificuldade financeira e a autorização de um gasto elevado com evento festivo tem gerado questionamentos e alimentado o temor entre servidores e moradores.

“Quando a gente ouve falar que pode atrasar salário, a primeira coisa que vem à cabeça é como vai ficar a comida dentro de casa”, relatou um servidor municipal, que preferiu não se identificar por receio de represálias. “A gente fica preocupado, porque salário não é luxo, é necessidade.”

Outro morador, também sob condição de anonimato, afirmou que a situação causa indignação. “A Prefeitura diz que não tem dinheiro pra pagar salário, mas tem meio milhão pra show. A conta não fecha”, disse.

Procurada, a Prefeitura de Nordestina reiterou que enfrenta dificuldades na execução do orçamento de 2026 e que a responsabilidade estaria relacionada à forma como a LOA foi aprovada pelo Legislativo. A gestão afirma que busca soluções para garantir o funcionamento dos serviços públicos e o pagamento dos servidores.

Já integrantes da Câmara de Vereadores, ouvidos de forma reservada, sustentam que a responsabilidade pela administração dos recursos é do Executivo e que cabe à Prefeitura definir prioridades, respeitando os limites legais do orçamento aprovado.

Especialistas em gestão pública destacam que salários e despesas essenciais são obrigações permanentes da administração municipal, enquanto gastos com festas e eventos são opcionais e devem ser avaliados com ainda mais critério em momentos de alegada dificuldade financeira.

Diante do cenário, cresce a expectativa para que órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios, acompanhem de perto a execução orçamentária e a priorização dos gastos públicos em Nordestina.

Enquanto isso, servidores e moradores seguem apreensivos, temendo que o discurso de crise financeira se traduza, na prática, em atraso de salários, ao mesmo tempo em que despesas elevadas com eventos continuam sendo autorizadas pela própria gestão municipal.

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