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ANVISA AUTORIZA NOVA INJEÇÃO CONTRA O HIV QUE TEM EFICÁCIA DE 100% NA PREVENÇÃO

João Paulo - 13/01/2026 07:40

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (12), o uso do lenacapavir, primeiro medicamento injetável de longa duração para a prevenção e o tratamento do HIV no Brasil. Comercializado com o nome Sunlenca, o fármaco, desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences, exige apenas duas aplicações por ano.

A aprovação é considerada um marco histórico por especialistas da área da saúde, uma vez que o medicamento apresenta eficácia superior à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) oral, baseada no uso diário de comprimidos. A nova tecnologia tende a facilitar a adesão tanto ao tratamento quanto à prevenção da infecção pelo HIV.

Prevenção e tratamento

A autorização da Anvisa contempla dois públicos específicos:

Profilaxia Pré-Exposição (PrEP): Destinada a pessoas soronegativas (com mais de 12 anos e peso acima de 35 kg) que buscam prevenir a infecção. Em estudos clínicos, a eficácia chegou a 100% em mulheres cis e 96% em grupos diversos. Tratamento de resgate: Focada em pacientes que vivem com HIV e que desenvolveram resistência a outras classes de antivirais, oferecendo uma nova chance de supressão viral para casos complexos.

Injeção semestral vs. Comprimidos diários

Atualmente, o SUS oferece a PrEP em comprimidos, que é altamente eficaz, mas exige disciplina rigorosa para ingestão diária. O lenacapavir elimina esse entrave logístico. “É um medicamento inovador, com mecanismo de ação totalmente novo, o que amplia de forma concreta as opções de prevenção e tratamento disponíveis. Agora, o próximo passo é discutir acesso, incorporação e sustentabilidade, especialmente no SUS”, afirma Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).

O desafio do acesso e o preço no Brasil

Apesar do entusiasmo da comunidade científica, o custo é a principal barreira. Nos EUA, o tratamento anual gira em torno de US$ 28 mil (cerca de R$ 150 mil).

No Brasil, os próximos passos incluem:

  • CMED: Definição do preço máximo de venda.
  • CONITEC: Avaliação de custo-efetividade para possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
  • Um ponto de polêmica é a exclusão do Brasil dos acordos de licenciamento para genéricos em países de baixa renda, o que pode encarecer a chegada do remédio à rede pública.

Por que não é uma vacina?

Embora seja injetável e preventivo, o lenacapavir não é uma vacina. Enquanto as vacinas estimulam o sistema imunológico a produzir suas próprias defesas, o lenacapavir é um antiviral de longa duração que circula no sangue e bloqueia a replicação do vírus diretamente. Se as aplicações forem interrompidas, a proteção cessa.

 

Foto: Divulgação

 

 

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