

A gestão do líder do União Brasil foi criticada pelo petista, que citou tarifa de ônibus elevada, abandono de bairros populares e decisões administrativas que aprofundam desigualdades e ampliam a insatisfação do soteropolitano
O deputado estadual Robinson Almeida (PT) ironizou, neste sábado (10), o fato de o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), ter ficado fora da lista dos melhores gestores das capitais do Norte e Nordeste, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Veritá. Para o parlamentar, o resultado confirma o desgaste de uma administração que prioriza eventos e marketing em detrimento de políticas públicas estruturantes. “Bruno não é um prefeito, é um promotor de eventos, que está de costas, negligenciando os problemas da primeira capital do Brasil”, disparou.
No levantamento, Bruno Reis aparece apenas na 16ª posição entre os 26 prefeitos avaliados, com 50,9% de aprovação e nota 5,3. Aliado do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), o prefeito, segundo Robinson, colhe agora os efeitos de um modelo de gestão que aprofundou desigualdades sociais na capital.
“A pesquisa revela o que a população sente no dia a dia. Salvador ficou mais cara, mais desigual e com serviços públicos piores. Não é um prefeito, é um promotor de eventos, alguém que governa para as redes sociais e para o calendário de festas, não para resolver os problemas reais da cidade”, enfatizou Robinson Almeida.
Segundo o deputado, esse desgaste não é pontual, mas vem se intensificando ao longo do último ano. Ele lembrou que, em dezembro, outro levantamento, desta vez do Instituto Atlas Intel, já apontava uma queda de cerca de 30 pontos percentuais na aprovação de Bruno Reis em menos de 12 meses, evidenciando um processo acelerado de perda de apoio popular.
Entre os principais fatores de insatisfação, Robinson destacou o transporte público. De acordo com ele, Salvador passou a ter a tarifa de ônibus mais cara do Nordeste e a terceira mais elevada do Brasil, à frente de capitais como Rio de Janeiro e São Paulo.
“É um absurdo impor uma das tarifas mais caras do país a uma população com renda média baixa e ainda reduzir linhas e qualidade do serviço”, criticou.
O parlamentar também apontou o isolamento de bairros populares, provocado pela desativação de linhas de ônibus, o que dificulta o acesso ao trabalho, à escola e aos serviços públicos.
“Isso não é planejamento urbano, é exclusão social. A prefeitura virou as costas para quem mora na periferia”, afirmou.
Na área social, Robinson Almeida ressaltou a ausência de investimentos na educação infantil. Segundo ele, nenhuma creche municipal foi construída durante a gestão Bruno Reis, agravando o déficit histórico de vagas.
“As mães de Salvador sabem o impacto disso na vida cotidiana, no direito ao trabalho e para o futuro dos seus filhos”, disse.
Na saúde, o deputado do PT lembrou que Salvador apresenta uma das piores coberturas de atenção básica do Brasil, comprometendo a prevenção de doenças e sobrecarregando a rede hospitalar.
“Quando a atenção básica falha, há uma sobrecarga na média e alta complexidade, o sistema inteiro colapsa”, avaliou.
Robinson também criticou a política fiscal adotada pela prefeitura, citando o reajuste do IPTU e da taxa de lixo, aprovados sem amplo debate público. Para ele, a combinação de aumento de impostos e ausência de políticas de desenvolvimento tornou Salvador a capital menos atrativa do Nordeste para novos investimentos, dificultando o desenvolvimento econômico inclusivo.
“Bruno Reis governa seguindo o mesmo modelo do seu antecessor, ACM Neto: muito marketing, poucas políticas públicas e decisões voltadas para grupos específicos, não para as necessidades da maioria”, analisou.
Na avaliação do parlamentar, os resultados das pesquisas refletem diretamente esse conjunto de escolhas administrativas.
“A reprovação não surge do nada. Ela é consequência de uma gestão que cobra caro da população, entrega pouco e trata a cidade como palco de eventos, não como um espaço de cidadania”, concluiu o petista.