

Vacinação contra HPV, rastreamento e tratamento adequado são os três pilares da Estratégia Global para Eliminar o Câncer de Colo do Útero como problema de saúde pública até 2030. O Brasil é um dos países signatários desse compromisso histórico lançado pela Organização Mundial de Saúde
A Bahia lidera o número de novos casos de câncer de colo de útero ou câncer cervical na região Nordeste. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 1.160 novos diagnósticos são feitos a cada ano no estado. A campanha Janeiro Verde busca conscientizar a população feminina sobre o câncer do colo do útero, terceiro tipo de neoplasia que mais afeta as mulheres no país. “A falta de informação é um dos desafios do combate aos tumores do sistema reprodutor feminino, o Janeiro Verde é um alerta necessário sobre a importância dos exames preventivos, da vacina HPV e do estilo de vida saudável”, afirma a oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas.
A infecção persistente por determinados tipos de HPV (Papilomavírus humano), vírus transmitido em relações sexuais sem proteção, é o principal fator de risco para desenvolvimento do câncer de colo de útero. “Existem mais de 200 subtipos de HPV, os tipos HPV-16 e HPV-18 são considerados de alto risco por seu potencial oncogênico”, explica o oncologista Daniel Brito, da Oncoclínicas. Outros fatores podem estar associados ao surgimento da neoplasia, como a falta de limpeza ou higiene íntima inadequada, a iniciação sexual precoce, o tabagismo, e o comportamento sexual de risco (sexo sem preservativo e multiplicidade de parceiros).
“A vacinação contra HPV para meninos e meninas, disponível no SUS, é uma aliada eficaz para prevenção da doença”, reforça a oncologista Daniela Barros, da Oncoclínicas. Além de ser importante no combate ao câncer de colo de útero, a imunização previne outras neoplasias associadas ao Papilomavírus Humano, como os tumores de pênis, ânus, vagina, vulva e orofaringe.
“Num cenário de desinformação crescente, conscientizar os pais sobre a importância da vacinação dos seus filhos é um dos desafios para o combate ao câncer de colo de útero”, afirma a oncologista Camila Kelly Chiodi, da Oncoclínicas. A médica lembra que a adesão à vacinação protege os jovens desde o início de sua vida sexual e interrompe a transmissão do vírus.
Rotina preventiva
As consultas de rotina com o ginecologista e o rastreamento através do exame preventivo (Papanicolau) são indispensáveis para a saúde do sistema reprodutivo feminino. “O exame preventivo consegue identificar lesões pré-malignas ou tumores em estágio inicial, possibilitando o tratamento precoce, quando a chance de cura do câncer de colo de útero é muito alta e pode chegar a mais de 95%”, lembra a oncologista Hamanda Nery, da Oncoclínicas,
“O exame de rastreamento ajuda a detectar a doença mesmo quando a mulher não tem nenhum sintoma, aumentando a possibilidade de tratamentos menos invasivos e salvando vidas”, acrescenta Luciana Landeiro.
Atenção aos sintomas
Geralmente, o câncer de colo de útero é assintomático em sua fase inicial. “Dores durante relação sexual, sangramento vaginal anormal, secreção com mau cheiro e dor pélvica são alguns dos sintomas que podem ocorrer em casos mais avançados da doença”, explica Camila Kelly Chiodi. “Ao notar qualquer sintoma é importante que a mulher busque imediatamente o médico para uma avaliação”, acrescenta Daniel Brito.
Cânceres ginecológicos
Mais de 30 mil brasileiras são diagnosticadas com cânceres ginecológicos a cada ano. Essas neoplasias afetam órgãos do sistema reprodutor feminino, como útero, ovários, vulva e vagina. O câncer de colo de útero, ou câncer cervical, é o mais comum, dentre eles, com previsão de 17 mil novos casos por ano no Brasil e representa o terceiro tipo de tumor que mais afeta as mulheres brasileiras (atrás do câncer de mama e do colorretal), segundo o INCA. A Bahia, com estimativa de 1160 novos casos a cada ano, é o estado da região Nordeste com maior número de novos casos da doença. O câncer de endométrio (câncer do corpo do útero) fica em segundo lugar em incidência, dentre os cânceres ginecológicos, com estimativa de 7840 novos casos a cada ano e o de ovário em terceiro com previsão de 7310 novos diagnósticos.
“Não existe um programa de rastreamento especifico para o câncer de ovário e de endométrio, ao contrário do câncer de colo de útero, e isso reforça a importância do acompanhamento ginecológico de rotina”, esclarece Daniela Barros.
“O câncer de ovário, que é o mais letal dentre os tumores ginecológicos, e o de endométrio são silenciosos, o que faz com que acabem sendo diagnosticados em fases mais avançadas”, afirma Hamanda Nery.
Imunização contra o HPV: rede pública e privada
A vacina reduz o risco de infecções pelo HPV e doenças associadas, incluindo diversos tipos de câncer, como o de colo de útero. Com eficácia superior a 90% e aplicada em dose única, a vacinação quadrivalente contra o HPV, está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e, até junho de 2026, foi estendida para jovens até os 19 anos, com o objetivo de “resgatar” adolescentes que não se vacinaram.
Para indivíduos imunossuprimidos, pacientes oncológicos e transplantados, o esquema vacinal permanece com três doses. A mesma recomendação se aplica a usuários de PrEP entre 15 e 45 anos e a vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos.
Na rede privada, além da versão quadrivalente, está disponível a vacina nonavalente, que protege contra os subtipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, ampliando a cobertura contra cânceres associados ao HPV. Nesse caso o esquema de vacinação é de duas doses para crianças e adolescentes até 14 anos e três doses a partir dos 15 anos ou para imunossuprimidos. “A vacinação contra HPV é uma aliada indispensável da estratégia global da OMS para erradicar o câncer de colo de útero até 2030”, finaliza a oncologista Luciana Landeiro.



