

Em sua tradicional entrevista de início do ano, o economista e jornalista Armando Avena fez previsões para a economia brasileira em 2026 e afirmou que o PIB brasileiro vai crescer provavelmente mais que em 2025, mas que a questão fiscal vai se agravar.
Avena lembrou que 2025 foi um ano bom sob ponto de vista econômico, com crescimento do PIB em torno de 2,4%, o PIB per capita crescendo cerca de 1,7%, a taxa de desemprego que é a menor desde que começou a ser calculada e com a inflação em 4,3%, abaixo do teto da meta. Mas alertou que a questão fiscal se deteriorou.
Nesse ponto fez uma crítica às previsões desacreditadas do mercado financeiro que passou todo o primeiro semestre de 2025 dizendo que o país estava à beira de uma crise fiscal sem precedentes. E, no entanto, se chegou ao final de 2025, sem passar perto de qualquer crise fiscal. “Não se pode acreditar no que afirmam os economistas ligados ao mercado financeiro, eles têm interesses definidos pelos interesses das corporações financeiras”, disse Avena.
Mas, ao mesmo tempo, afirmou que a situação fiscal se deteriorou e que o arcabouço fiscal criado pelo Ministério da Fazenda já não dá conta da questão fiscal, pois bilhões de reais foram excepcionalizados e retirados do déficit público. “O governo precisa de uma nova política fiscal, com foco no corte de gastos e no corte de subsídios, e isso terá de ser feito, mais cedo ou mais tarde”, concluiu, afirmando que, no entanto, isso só acontecerá em 2027.
Avena disse ainda que a perspectiva para 2026 é de crescimento do Produto Interno Bruto – PIB em níveis superiores ao verificado em 2025, porque o Banco Central deve iniciar o ciclo de queda nas taxas de juros já na primeira reunião do Copom, o que, ao longo do ano, vai destravar alguns setores e estimular segmentos mais afetados pelo juros, como o comércio e a construção civil.
Em relação à Bahia, disse que o PIB deve crescer em torno de 3%, conforme previsões da SEI. Mas afirmou que a Bahia precisa destravar os projetos estratégicos de infraestrutura, como a Ferrovia Oeste Leste, a renovação da concessão da FCA, a concessão da BR-324/116 e outros. “Aliás, o governo deveria ter um executivo em tempo integral negociando com empresas e governo federal esses projetos”, disse Avena. Veja a entrevista na íntegra aqui.