

O anúncio de reajustes na tarifa de ônibus, no IPTU e na Taxa de Resíduos Sólidos Domiciliares (TRSD) para 2026 provocou forte reação da oposição ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (União). Vereadoras classificaram o pacote como um “tarifaço” e afirmaram que a gestão municipal transfere para a população o custo de uma política econômica que, segundo elas, não entrega serviços de qualidade nem reduz desigualdades.
A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou que os aumentos em sequência revelam, na visão dela, um “desprezo” com os soteropolitanos. “Logo depois de aumentar a passagem de ônibus, o prefeito anuncia reajuste do IPTU e da taxa do lixo. É um ataque direto ao bolso do povo. Salvador vive um tarifaço que não para, enquanto os serviços públicos continuam precários”, disse. Para a parlamentar, o encadeamento das medidas não é coincidência, mas uma lógica de governo que penaliza quem vive e trabalha na cidade.
No transporte coletivo, Marta criticou o volume de recursos públicos destinados ao sistema sem, segundo ela, retorno para os usuários. “O povo paga duas vezes. Paga com os impostos, que bancam subsídios milionários, e paga novamente no bolso, com o aumento da tarifa. Em 2024, foram mais de R$ 22 milhões em renúncias fiscais e cerca de R$ 106 milhões em subsídios. Para 2025, esses valores aumentam e, para 2026, a previsão chega a aproximadamente R$ 130 milhões de dinheiro público despejado no sistema, sem contrapartida real, sem melhoria do serviço e sem respeito ao usuário”, afirmou.
Já a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da oposição na Câmara, classificou o conjunto de medidas como um “pacote de punição aos contribuintes”. Segundo ela, os reajustes foram anunciados “ao apagar das luzes de 2025”, em um cenário de alta inadimplência e de cobranças consideradas implacáveis. “Sob o pretexto de uma mera reposição inflacionária, a Prefeitura de Salvador promove mais uma vez o sufocamento financeiro da população e do setor produtivo”, afirmou.
Aladilce também criticou o bloqueio de contas de inadimplentes e apontou desigualdade na política fiscal. Para a vereadora, a gestão ignora a realidade socioeconômica da capital e mantém uma arrecadação concentrada em IPTU e ISS, sem investir em geração de emprego e renda. “Aumentar o preço do transporte após várias injeções de recursos públicos no setor, numa cidade que sofre com um sistema precário, é restringir o direito de ir e vir e o acesso ao trabalho”, disse, defendendo a revisão dos valores cobrados e a abertura de negociação com a sociedade.(TB)
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