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FESTIVAL SESI REVELA JUVENTUDE COMO MOTOR DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

João Paulo - 19/12/2025 14:20

Jovens talentos da ciência, arte e inovação foram os grandes protagonistas do II Festival SESI de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI), promovido no último fim de semana pelo Serviço Social da Indústria (SESI) da Bahia, com apoio do Conselho Nacional do SESI e Departamento Nacional do SESI. O evento reuniu um público de 2.767 visitantes e 803 estudantes competidores da educação básica de 11 estados do Brasil, que se destacaram em competições de robótica, cubo mágico e projetos de iniciação científica, com premiações que incluíram troféus, medalhas, notebooks, tablets, vagas em etapas nacionais e credenciamentos para a principal feira brasileira de ciências, a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia).

Além de celebrar o potencial científico na Bahia, o festival revelou que há muitos jovens fazendo coisas extraordinárias “fora das telas”, mostrando que a tecnologia, quando bem aplicada, pode ser uma aliada, e não um obstáculo na formação dos futuros profissionais do país. Das 98 escolas participantes, 40 eram públicas, 34 da rede SESI e 24 privadas, o que reforça a crescente representatividade da rede pública no evento.

Para a superintendente executiva de Educação e Cultura do SESI Bahia, Cléssia Lobo, o festival fortalece o protagonismo juvenil, reafirmando a diversidade e a inclusão como valores primordiais do SESI.  “A segunda edição mostra que esse é o caminho: fomentar a ciência e a tecnologia para a juventude, num espaço democrático e de interação. A educação básica só precisa dessa oportunidade de trazer um currículo mais vivo e dinâmico, mostrando que a educação pode ser prazerosa, divertida e colaborativa”, avalia.

EDUCAÇÃO CONECTADA – O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Júnior, realçou o Festival SESI como um espaço central para a valorização da ciência e para a apresentação das principais experiências educacionais desenvolvidas pela instituição. Segundo ele, a Bahia se destaca nacionalmente pela integração entre SESI, SENAI e CIMATEC, reunindo escola, produção de conhecimento, pesquisa e demandas do setor produtivo: “Essa articulação expressa o que acreditamos, a conexão entre o mundo educacional e o mundo da produção científica e tecnológica”.

Para o presidente, o evento também cumpre o papel de consolidar a abordagem STEAM, que integra ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática como eixo estruturante da formação, aproximando a educação dos desafios reais da sociedade e inspirando ações semelhantes em outros estados.

RUMO AO NACIONAL –  Para além da programação e do design dos robôs, os competidores da robótica provaram ser verdadeiras famílias, unidas do início ao fim. A partir de camisas coloridas, chapéus e acessórios que identificam cada uma, as 56 equipes, vindas de cidades da Bahia e de Sergipe, receberam os resultados do Torneio Regional da FIRST LEGO League (FLL) com gritos ansiosos, abraços calorosos e lágrimas de emoção.

Com o tema “UNEARTHED”, a temporada de 2025 do FLL teve como foco a arqueologia e desafiou estudantes de 9 a 15 anos a desenvolverem soluções criativas e tecnológicas para os problemas atuais que os arqueólogos enfrentam. Fora os projetos de inovação apresentados aos avaliadores, as equipes se enfrentaram frente a frente nas mesas de robótica, onde os robôs que construíram do zero precisavam cumprir uma série de missões. Ao fim das competições, o festival consagrou as equipes Chronos (SESI Itapagipe, Salvador/BA) e RoboCOE (Coesi, Aracaju/SE) em 1º lugar na Champion’s Award.

Na etapa nacional em março de 2026, em São Paulo, as equipes vencedoras terão a companhia das equipes classificadas em 2º lugar: RoboLife (Centro Integrado de Atividades SESI SENAI, Candeias/BA) e Black Gold (Equipe de Garagem); e 3º lugar: Gênius (SESI Candeias/BA) e Carcará (Colégio São Paulo, Salvador/BA).

Após conversas com arqueólogos, visitas ao IPHAN e a empresas de arqueologia, a equipe Chronos, uma das vencedoras do regional, chegou na criação da ArqBox, uma caixa estabilizadora que auxilia no transporte de artefatos dos sítios arqueológicos até os laboratórios. Para a integrante Ester Santos, 15 anos, a conquista representa o reconhecimento de um ano inteiro de treino e dedicação. “Foi um processo demorado, porém leve. Todos fizeram amizade e pudemos nos divertir bastante juntos. Somos uma família, tanto dentro quanto fora da escola”, comenta.

Este será o 10º Torneio Nacional seguido que Rian Gabriel dos Santos irá acompanhar, como técnico, a equipe RoboCOE, de Sergipe. “O que eu sempre falo para eles é que não é só sobre prêmios, é sobre pessoas. Se hoje eles estão indo para o nacional, é porque primeiro eles foram pessoas e alunos dedicados, que batalharam e desfrutaram dessa conquista incrível”, afirma.

VELOZES E TECNOLÓGICOS – Outra premiação emocionante do II Festival SESI CTI foi da seletiva da STEM Racing, que encoraja estudantes de 9 a 19 anos a criar uma empresa júnior, modelar uma réplica de carro de Fórmula 1, administrar uma escuderia e captar patrocinadores para competir em uma pista de corrida em miniatura. As equipes vencedoras foram as escuderias soteropolitanas Pegasus, da Escola SESI Djalma Pessoa, e Seven, da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, classificadas em 1º e 2º lugar, respectivamente, para concorrer na etapa nacional em março de 2026, em São Paulo.

Agora bicampeã regional, a Pegasus foi liderada mais uma vez por Maria Júlia Silva de Jesus, que também é a gestora de projetos e finanças da escuderia. Para a estudante, de 17 anos, a STEM Racing proporciona aos competidores uma nova visão de futuro, com ensinamentos sobre como uma empresa funciona, sobre resiliência, responsabilidade e confiança.

“É a confirmação de que todos os dias longos de trabalho, os erros e recomeços valeram a pena. Voltar ao nacional não é apenas sobre chegar lá, é provar que construímos um trabalho sólido e consistente. Cada integrante deixou sua marca para que esse resultado fosse possível, e carregar novamente o nome da equipe para uma etapa nacional é motivo de orgulho e gratidão”, comemora Maria Júlia.

JOVENS CIENTISTAS BAIANOS NO TOPO – A II Feira Internacional de Iniciação Científica (FENIC) reuniu 150 projetos e concedeu 42 prêmios, distribuídos em 19 categorias. Com a participação de jovens da educação básica e do ensino técnico do Brasil e Paraguai, o grande vencedor geral foi o projeto “Arecê: perfume sólido natural”, desenvolvido por estudantes da Escola SESI Milton Santos, de Camaçari (BA). A iniciativa é assinada por Beatriz Silva da Rocha Pita Mota, Gabriela dos Santos Salomão e Guilherme Mascarenhas de Andrade, sob orientação de Igor Felipe Lima.

Os integrantes ganharam uma credencial para participar da 24ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), a maior do país, em março de 2026. A proposta cria um perfume sólido natural que atua como repelente no combate ao Aedes aegypti e às arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, além de resgatar saberes tradicionais ao utilizar a copaíba, planta nativa brasileira historicamente empregada por povos originários com finalidades medicinais e preventivas.

“Para a gente, isso representa um marco diferencial. A vivência na iniciação científica traz um impacto decisivo para a continuidade da minha carreira, inclusive no ramo comercial e de marketing, que muitas pessoas buscam como forma de renda. Além disso, o contato com a FEBRACE, com o SESI e outras iniciativas nos coloca em um patamar muito valorizado, especialmente considerando que a Escola SESI Milton Santos tem menos de três anos de existência e já conquistou o primeiro lugar em uma feira internacional de iniciação científica, o que é uma conquista muito importante”, destacou o estudante Guilherme Mascarenhas, 18 anos.

NOVA POLÍTICA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – Durante a cerimônia de encerramento da Feira Internacional de Iniciação Científica (FENIC), o superintendente de Educação Básica do SESI Nacional, Wisley Pereira, anunciou o lançamento da Política Nacional de Iniciação Científica do SESI, inspirada na experiência exitosa desenvolvida pelo SESI Bahia. Entre as ações previstas, estão a valorização e a formação continuada de professores, investimentos diretos nas unidades escolares para a criação de clubes de ciência, financiamento institucional e a criação de uma revista científica voltada à valorização da produção de estudantes e docentes.

Ele noticiou ainda que a Bahia irá sediar, em 2027, o Festival Nacional de Educação do SESI, tradicionalmente realizado em São Paulo e Brasília, reforçando o protagonismo do Nordeste na inovação educacional e na popularização da ciência e da robótica. “A Bahia e Salvador estão sendo um exemplo no processo de inovação na área da educação. Tirar um pouco o festival nacional do SESI dos centros brasileiros ou do Sudeste e trazer para o Nordeste é emblemático. É a popularização da ciência, popularização da robótica. É o maior festival de robótica da América Latina e certamente também beneficiará muito a cidade de Salvador, com a vinda de mais de 2.400 competidores”, afirmou

Fotos: Wilson Sabadin

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