

Em vigor desde 6 de agosto, o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, durante a gestão de Donald Trump, continua impactando o comércio brasileiro, sem previsão de acordo. No ritmo atual, o Ministério da Fazenda estima que pelo menos 65 mil pessoas ficarão desempregadas devido à medida até dezembro, principalmente na indústria.
Apesar da isenção aplicada a centenas de produtos, uma parcela considerável do mercado brasileiro ainda permanece sujeita às tarifas. Mesmo com ações do governo federal para apoiar empresários, diversos setores relevantes da economia nacional enfrentam dificuldades.
Entre as regiões que mantêm comércio com os EUA, o Ceará é o estado mais afetado. Com exportações que somam cerca de US$ 659 milhões, o comércio com os americanos representa 96,5% das exportações cearenses.
O Espírito Santo também tem os Estados Unidos como principal mercado externo, respondendo por 28,6% das exportações, com valores totais em torno de US$ 3 bilhões. Já a Paraíba enfrenta impactos em 21,6% de suas exportações.
São Paulo, por sua vez, mantém os EUA como mercado estratégico, com 19% das exportações e valor total superior a US$ 13 bilhões.
Mesmo com mercados mais diversificados, os estados do Sudeste e Sul devem sofrer os maiores impactos financeiros em números absolutos. Além de São Paulo, regiões como Rio Grande do Sul e Paraná devem registrar perdas bilionárias.
O cenário afeta diretamente a logística e a competitividade das exportações brasileiras. Segundo informações do portal Modal Connection, o tarifaço na indústria também tem grande impacto, sendo os EUA o segundo maior destino dos produtos do Brasil.
Setores estratégicos, como o de aeronaves, destinam 63% das exportações aos EUA; produtos semifaturados de ferro e aço chegam a 70%; enquanto máquinas, motores e geradores representam 60% das vendas externas.
Materiais de construção e produtos de madeira também têm participação no mercado norte-americano, com 58% e mais de 40%, respectivamente. Por isso, as tarifas elevadas pressionam preços e reduzem a competitividade do país.
O cenário exige ajustes na logística e nas estratégias de exportação. Empresas devem buscar alternativas de transporte, revisar contratos e explorar novas rotas comerciais para minimizar os efeitos do aumento tarifário.
Anunciadas em julho, as tarifas têm como justificativa alegações de déficit comercial entre Brasil e EUA, apesar de o superávit acumulado nos últimos 15 anos favorecer os americanos em US$ 410 bilhões.
Há também motivações políticas: em carta ao presidente Lula, Donald Trump demonstrou descontentamento com o tratamento dado a Jair Bolsonaro, ex-presidente recentemente condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.
Os Estados Unidos chegaram a conceder isenção a centenas de produtos brasileiros, correspondendo a 44,6% do mercado. No entanto, 35,9% permanecem afetados, enquanto 19,5% lidam com taxas específicas.
Desde então, o Brasil mantém negociações e acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC). Em agosto, houve redução de 18,5% nas exportações para os EUA, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Por outro lado, o saldo do comércio exterior como um todo registrou US$ 6,1 bilhões positivos, com crescimento de 3,9%. Para os próximos meses, o mercado deve continuar se adaptando ao cenário, enquanto as negociações para o fim das tarifas seguem em andamento.
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