quinta, 02 de abril de 2026
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ENTENDA A ONDA DE PROTESTOS QUE LEVOU À RENÚNCIA DO PREMIÊ DO NEPAL

Camilly Oliveira - 09/09/2025 15:25

A renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli marca o ápice de uma crise que expôs a fragilidade política do Nepal e a insatisfação crescente da população jovem. O estopim foi à decisão do governo de restringir redes sociais, sob a justificativa de combater desinformação, mas a medida funcionou como catalisador para um movimento mais amplo contra corrupção endêmica, falta de perspectivas econômicas e desigualdade social.

A repressão violenta acelerou a escalada. Forças de segurança responderam com munição real, gás lacrimogêneo e canhões de água, resultando em ao menos 19 mortos e centenas de feridos, segundo dados oficiais. Imagens de estudantes em uniformes enfrentando policiais em Katmandu e relatos de violência indiscriminada ampliaram a indignação e atraíram críticas de organizações internacionais. A ONU (Organização das Nações Unidas) e a Anistia Internacional classificaram o uso da força como uma violação grave do direito internacional.

Os protestos, liderados majoritariamente pela Geração Z, expõem a frustração de uma sociedade jovem com desemprego em torno de 20%, dependência excessiva de remessas enviadas por nepaleses no exterior e escândalos envolvendo filhos de políticos ostentando luxo em um país marcado por carências estruturais. A pressão popular derrubou não apenas o premiê, mas também ministros estratégicos, como os das pastas do Interior, Agricultura, Água e Saúde.
A instabilidade gerada reacendeu memórias de outras rupturas políticas do país, que aboliu sua monarquia em 2008 após uma guerra civil. Agora, setores da sociedade pedem a formação de um governo civil de transição e novas eleições. Enquanto isto, episódios paralelos, como fugas em massa de presídios e ataques a residências de líderes políticos, ampliam a sensação de caos. O Nepal, espremido entre Índia e China, volta a ocupar espaço delicado no tabuleiro geopolítico, com a comunidade internacional atenta ao risco de prolongamento da instabilidade.

Foto: PRABIN RANABHAT / AFP

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