quinta, 20 de agosto de 2026
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GOVERNANÇA DE RISCO REDEFINE A CONCESSÃO DE CRÉDITO NO BRASIL E MUDA DINÂMICA DO MERCADO

João - 28/07/2025 12:59 - Atualizado 28/07/2026

 

Um levantamento recente realizado pela Tafácil, ao longo de três meses, revelou como o rigor nos controles de risco se sobrepõe à mera automação comercial: 19% das operações que cumpriam todos os requisitos iniciais de elegibilidade foram interrompidas preventivamente após a análise de crédito. O motivo? A análise de crédito criteriosa, apontou que o valor restante do salário do servidor ficaria abaixo dos parâmetros de segurança da lei de superendividamento.

E o que isso significa? O ecossistema de tecnologia financeira no Brasil passa por um redesenho de forças. Se nos últimos anos as fintechs operacionais focadas estritamente na camada de experiência digital e agilidade dominaram as atenções, o cenário macroeconômico de juros elevados e a maturidade regulatória trouxeram a infraestrutura robusta e a governança das Sociedades de Crédito Direto (SCD) com um novo vetor de competitividade.

O movimento reflete uma mudança de exigência do mercado. Praticidade e velocidade deixaram de ser diferenciais exclusivos e viraram requisitos básicos com o advento do Pix, que já supera 7,1 bilhões de transações mensais no país, e do Open Finance, que alcançou o posto de maior ecossistema do mundo com mais de 100 milhões de contas conectadas em 2026. Agora, investidores, parceiros corporativos e órgãos públicos priorizam a capacidade institucional de mitigar riscos de mercado, sustentar o compliance e garantir a segurança das operações de ponta a ponta.

Para Paulo Cirilo, CEO da Tafácil, empresa especializada em soluções financeiras por meio de crédito consignado, esse movimento é uma convergência. “O cenário de juros elevados mostrou que uma boa experiência digital não é suficiente, é preciso ter estrutura para analisar risco, financiar e acompanhar a carteira. A infraestrutura deixou de significar apenas custo e passou a representar capacidade de escala, segurança e continuidade”, explica Paulo.

Governança e o arcabouço das SCDs
O avanço das instituições tradicionais e das SCDs autorizadas pelo Banco Central expõem as dificuldades operacionais enfrentadas por empresas que atuam apenas na camada tecnológica. Enquanto uma fintech operacional costuma depender de terceiros para originar crédito e absorver custos de conformidade complexos, as estruturas integradas a uma SCD operam com maior autonomia, submetendo-se a regras rigorosas de controles internos, auditoria e provisões para perdas.

Tal maturidade de governança corporativa funciona hoje como um ativo comercial, especialmente em setores que demandam alta previsibilidade legal, como convênios e concessões públicas.

“Uma fintech operacional pode desenvolver uma ótima plataforma, mas continuará dependendo de outra instituição para conceder o crédito. Já uma SCD autorizada pelo Banco Central possui maior autonomia para organizar e administrar essas operações, embora também assuma obrigações mais rigorosas. O que uma instituição regulada oferece são mecanismos mais estruturados de confiança, ou seja, realiza a segregação de funções, políticas de risco, controles internos, auditoria e responsabilização da administração. Para grandes parceiros e órgãos públicos, isso aumenta a previsibilidade”, pontua Cirilo.

A robustez dos comitês de risco e os critérios de liquidez dessas estruturas reguladas têm ditado o ritmo das concessões de forma mais analítica, um movimento impulsionado pelo próprio Banco Central, que por meio de novas resoluções elevou o capital mínimo de uma SCD de R$1 milhão para R$9,6 milhões para refletir os riscos reais de mercado.

Na Tafácil, que integra o ecossistema do Grupo Somapay, instituição com mais de uma década de atuação e detentora de uma SCD regulada, a engenharia financeira avalia o impacto do crédito diretamente na saúde do tomador, mitigando riscos de inadimplência e preservando o mínimo existencial.

Longe de significar o fim das fintechs puramente operacionais, a tendência para o médio prazo no ecossistema brasileiro é de consolidação por meio de parcerias estratégicas e M&As (fusões e aquisições), combinando a flexibilidade e os dados das startups com o funding e a governança das Sociedades de Crédito Direto.

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