sexta, 10 de abril de 2026
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VAREJO BRASILEIRO ENFRENTA RISCOS JURÍDICOS SILENCIOSOS QUE PODEM GERAR PREJUÍZOS MILIONÁRIOS

João Paulo - 02/04/2025 07:51 - Atualizado 02/04/2026

Com a expansão acelerada do varejo físico e digital no Brasil, empresas do setor enfrentam desafios jurídicos cada vez mais complexos, muitos deles silenciosos, no dia a dia, mas com potencial de gerar passivos significativos. Questões relacionadas ao direito do consumidor, como publicidade, políticas de troca, proteção de dados e qualidade do atendimento, estão entre os principais pontos de atenção. No ambiente interno, riscos trabalhistas ligados à gestão de jornada, metas, terceirização e uso de tecnologias de monitoramento também ganham destaque.

Segundo o advogado Ruy Andrade, sócio-fundador do Ruy Andrade Advocacia, esses desafios exigem uma atuação cada vez mais estratégica por parte das empresas. “Muitos conflitos poderiam ser evitados com políticas internas bem estruturadas e revisão constante de procedimentos que impactam diretamente consumidores e colaboradores”, afirma.

Entre as principais medidas preventivas, o especialista destaca a revisão das políticas de consumo, com regras claras e acessíveis sobre trocas, devoluções, garantias e prazos de atendimento, sempre alinhadas ao Código de Defesa do Consumidor. Informações inconsistentes entre lojas físicas e e-commerce, por exemplo, estão entre as maiores causas de conflito e judicialização.

Outro ponto essencial é a realização de auditorias jurídicas periódicas, com foco na análise de contratos, fluxos operacionais e práticas de atendimento. Esse diagnóstico permite identificar vulnerabilidades antes que se transformem em litígios, contribuindo para maior segurança jurídica e eficiência operacional.

No campo trabalhista, Ruy Andrade reforça a importância da estruturação adequada das relações de trabalho, incluindo revisão de contratos, controle de jornada, banco de horas, metas e políticas de comissionamento, garantindo conformidade com a Consolidação das Leis do Trabalho.

Para o especialista, a adoção de boas práticas jurídicas deixou de ser apenas uma medida de proteção e passou a ser um diferencial competitivo. “Empresas que investem em prevenção reduzem custos, fortalecem sua reputação e operam com mais segurança em um mercado cada vez mais exigente”, conclui.

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