Um relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre a segurança do sistema nos próximos cinco anos aponta que o crescimento da geração de energia por meio de painéis solares traz riscos efetivos de apagões em nove estados, inclusive a Bahia. Além da Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí podem ser afetados.
O perigo é decorrente de sobrecarga em subestações de transmissão de energia elétrica. O ONS vê risco de sobrecarga “inadmissível”, ou seja, superior à capacidade operacional de curta duração dos transformadores.
Um dos efeitos preocupantes da energia gerada de forma descentralizada é o chamado “fluxo reverso” de energia: em vez de a energia fluir da transmissora para a distribuidora, o excesso de energia gerada e não usada pelos consumidores residenciais e comerciais com painéis solares fazem o caminho inverso, passando da distribuidora para o sistema de transmissão.
É esse fenômeno que gera, por exemplo, o risco de sobrecarga no sistema, o que pode resultar em desligamento do sistema de transmissão por excesso de carga elétrica. Isso aconteceu em 2023, quando o país sofreu um apagão de seis horas em 25 estados, justamente em razão de problemas com a intermitência da energia solar e eólica.
Segundo o ONS, o início do apagão “foi consequência do desempenho dos parques eólicos e fotovoltaicos observado em campo ter sido inesperado”. O ONS aponta que a micro e minigeração distribuída (como são chamados os painéis solares em residências e comércios), e as usinas solares tipo 3 (estruturas mais complexas, mas também descentralizadas) têm hoje um total de capacidade instalada de 53 GW, o que representa mais de um quinto (22%) da capacidade instalada em todo o país.
Os dados constam do Plano de Operação Elétrica de Médio Prazo do Sistema Interligado Nacional, que mira o período entre 2025 e 2029 e as informações foram divulgadas pelo colunista Lauro Jardim de O Globo.
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