A esmeralda de 380 kg, encontrada em 2001 na Serra da Carnaíba, em Pindobaçu, norte da Bahia, continua a protagonizar uma saga internacional que envolve contrabando, disputas judiciais e lendas misteriosas. Avaliada em cerca de R$ 6 bilhões, a pedra preciosa, considerada um tesouro nacional, está prestes a ser repatriada dos Estados Unidos, encerrando um capítulo de mais de duas décadas.
Extraída em uma das regiões mais ricas em esmeraldas do Brasil, a pedra foi vendida inicialmente por apenas R$ 45 mil, conforme relato do garimpeiro Alderaci de Carvalho ao Fantástico. Após a venda, a esmeralda foi levada para São Paulo e, em seguida, contrabandeada para os Estados Unidos (EUA) em 2005, utilizando documentos falsificados.
Nos EUA, a esmeralda ficou armazenada em um depósito, na cidade de Nova Orleans, que foi inundado pelo furacão Katrina. Recuperada por mergulhadores locais, a pedra foi posteriormente roubada e encontrada em 2008 pela polícia de Los Angeles, que a manteve sob custódia desde então.
Desdobramentos recentes
Em novembro de 2024, a Justiça americana acatou o pedido do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) para a repatriação da pedra ao Brasil. A decisão final foi formalizada pelo juiz Reggie Walton, da Corte Distrital de Columbia, antes do prazo estabelecido de 6 de dezembro de 2024.
A Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou que a esmeralda será exposta no Museu Nacional do Rio de Janeiro, mas detalhes sobre sua chegada ao Brasil ainda não foram divulgados.
Briga judicial e condenações
A esmeralda foi objeto de uma longa disputa judicial. Em 2017, uma decisão da Justiça Federal em Campinas condenou os empresários Elson Alves Ribeiro e Ruy Saraiva Filho pelos crimes de receptação, uso de documentos falsos e contrabando. A ação penal também determinou que a pedra fosse devolvida ao Brasil.
A AGU, atuando desde 2013 no caso, conseguiu o apoio do Departamento de Justiça dos EUA para atender à decisão brasileira.
Mitos e mistérios
Além das questões legais, a esmeralda está envolta em lendas que intrigam até hoje. Há quem diga que ela carrega uma maldição, enquanto outra história relata que contrabandistas ligados à pedra foram mortos por animais selvagens nas florestas brasileiras.
Foto: Andrew Spielberger/AP