Segundo dados do índice FipeZap divulgados nesta terça-feira (16), que consideram médias de preços de 25 cidades, o preço do aluguel residencial subiu 8,02% no primeiro semestre deste ano. A alta representa quase oito vezes mais que a variação do índice IGP-M, que foi de 1,10% nos primeiros seis meses deste ano – o IGP-M costuma ser o indicador mais utilizado nos contratos de aluguel. Na capital baiana a alta foi de 13,52%.
De acordo com a matéria do Estadão, Brasília (13,93%), Salvador (13,52%) e Curitiba (11,10%) foram as capitais que apresentaram maior aumento nos preços de aluguel neste ano. A liderança do ranking, porém, ficou com a cidade de Campinas, no interior paulista, subindo 14,25% de janeiro a junho. No primeiro semestre, os imóveis com apenas um dormitório foram os que tiveram a maior alta média no aluguel, custando 9,57% a mais do que no começo do ano.
“Se o mercado de trabalho permanecer estável ou melhorar ainda mais, é possível que haja mais aumento do preço médio do metro quadrado de locação no restante dos meses do ano. Porém, dado o desempenho no primeiro semestre de 2024 e o padrão observado no segundo semestre de 2023, tanto do índice de locação quanto do mercado de trabalho, o índice FipeZAP deste ano pode atingir um valor menor do que no acumulado de 12 meses de 2023″, diz Paula Reis, economista do DataZap.
Preço médio
O preço médio do metro quadrado para locação no País ficou em R$ 45,92 no primeiro semestre. Imóveis com um dormitório têm o maior preço médio, de R$ 60,26/m², enquanto os de três quartos têm o menor preço médio, de R$ 39,79/m². Entre as capitais, São Paulo teve a maior alta de preço, chegando a R$ 55,01/m², seguida por Florianópolis (R$ 53,71/m²), Recife (R$ 51,43/m²), Rio de Janeiro (R$ 47,85/m²) e Brasília (R$ 46,54/m²).
Na visão do planejador financeiro CFP pela Planejar, Marcelo Milech, o aumento de preços está relacionado ao baixo crescimento do IGP-M nos últimos anos (no ano passado, o índice, que capta principalmente preços no atacado, fechou com queda de 3,18%), o que leva proprietários a forçarem um aumento no valor dos alugueis no momento de fechar novos contratos com inquilinos.
“Os alugueis, que em sua maioria têm o IGP-M como indexador, tiveram reajustes de zero ou próximos de zero nos últimos anos. De seis meses para cá, além de uma nova subida relativa do IGP-M, a procura por locação valorizou esse tipo de modalidade, ‘virando o jogo’ da locação em favor dos proprietários. É uma situação cíclica, derivada, sobretudo, da escassez (de imóveis) e custo alto dos financiamentos imobiliários, que afastam os consumidores da compra e impulsionam a locação”, diz.
O ideal, segundo Milech, é que as famílias não comprometam mais do que 30% da renda mensal com aluguel e contas do imóvel – como o IPTU, contas de consumo e condomínio. Dados de abril do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) mostram que o valor de aluguel de 78% dos contratos fechados era de até R$ 1.800, já as vendas de imóveis na cidade apresentaram queda de 21,56% no acumulado do ano até abril. No acumulado de alugueis, o resultado chegou a 61%
“Isso indica que, quando as famílias não conseguem comprar, se voltam para o aluguel, uma despesa que ainda está cabendo no bolso dos paulistanos. E aquelas que conseguem comprar estão preferindo fazê-lo à vista. No período estudado pelo Creci-SP, 55,84% das transações foram efetivadas dessa maneira, ante 42,86% por meio de financiamento bancário”, diz o presidente da autarquia, José Augusto Viana Neto.
Mais rentáveis
Entre os imóveis alugados, aqueles que apresentaram maior rentabilidade para seus proprietários foram aqueles com um dormitório, que tiveram média anual de 6,66%. A média de rentabilidade no País foi de 5,94%, ou seja, menos da metade da taxa de juros atual, de 10,5%. Santos, no litoral paulista, foi a cidade que apresentou maior retorno anual para quem tem imóveis alugados, 8,76%. Entre as capitais, as cidades com maiores retornos médios anuais foram Recife (7,56%), Salvador (6,88%), Porto Alegre (R$ 6,15%), Brasília (6,09%) e São Paulo (6%). Vale notar que a rentabilidade considera apenas a rende obtida mensalmente com aluguel, e não considera a valorização do imóvel ao longo dos anos.
Foto: Evandro Veiga/Correio